Francisco Guterres “Lú Olo” vai ser distinguido com Prémio Excelência Lusófona

DÍLI, 7 de outubro de 2026 (TATOLI) — O antigo Presidente da República Francisco Guterres “Lú Olo” será galardoado, a título póstumo, com o Prémio Excelência Lusófona 2026, durante a 10.ª da Gala Prémios da Lusofonia, marcada para 10 de outubro, no Casino Estoril, em Portugal.
Criados em 2017, os Prémios da Lusofonia homenageiam anualmente, em Portugal, personalidades da comunidade lusófona que se destacaram pela sua obra e carreira em diversas áreas — da música, literatura e cidadania às artes plásticas, comunicação social, teatro, cinema, educação, moda e estilismo, entre outras.
O Prémio Excelência Lusófona distingue figuras cujo percurso evidencia impacto nacional e internacional, liderança e contributo exemplar para a comunidade lusófona.
Segundo uma publicação da organização nas redes sociais, a distinção deveria inicialmente ser entregue a “Lú Olo” em vida.
“Quis, porém, o destino que isso jamais se tornasse possível, e que o momento solene tivesse de ocorrer a título póstumo”, refere a organização.
De acordo com a mesma fonte, caberá à mulher do antigo Chefe de Estado, Cidália Lopes Nobre Mouzinho Guterres, receber a distinção em sua representação.
A homenagem reconhece o percurso de “Lú Olo”, marcado pela participação na resistência à ocupação indonésia e pelo exercício de funções políticas determinantes no período que antecedeu e se seguiu à restauração da independência.
Nascido a 7 de setembro de 1954, em Ossú, Viqueque, Francisco Guterres faleceu a 21 de junho de 2026, na Malásia, aos 71 anos. Era casado e pai de quatro filhos: Francisco Cidalino Guterres (Olo Kai), Eldino Nobre Guterres, Felezito Samora Guterres e Dália Guterres.
Ingressou na luta pela libertação em 1974 e permaneceu na resistência armada durante 24 anos, assumindo diversas responsabilidades políticas e militares. Foi membro da liderança da resistência e, após a morte de Konis Santana, em 1998, assumiu a direção política da luta armada da Frente Revolucionária de Timor-Leste (FRETILIN).
Após o referendo de 1999, desempenhou um papel central na reorganização da FRETILIN para o período pós-independência. Em 2001 foi eleito Presidente da Assembleia Constituinte.
Exerceu a Presidência do Parlamento Nacional entre 2002 e 2007 e foi Presidente da República entre 2017 e 2022. Licenciou-se em Direito na Universidade Nacional Timor Lorosa’e.
Ao longo do seu percurso, foi distinguido pelo Estado timorense com o Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2009, e com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2022. No mesmo ano, recebeu igualmente o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Governo português.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo

