Timor-Leste inicia operação comercial do cabo submarino para reforçar conectividade digital

DÍLI, 28 de julho de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, presidiu, esta terça-feira, ao lançamento comercial da Cabos de Timor-Leste, Empresa Pública (CTL, E.P.) e ao início das operações do Sistema de Cabo Submarino do Sul de Timor-Leste (TLSSC).
O Governo considera que a infraestrutura representa um marco histórico para a transformação digital do país, ao permitir uma ligação internacional de maior capacidade, mais rápida, fiável e acessível.
Na cerimónia, realizada na sede da CTL, em Bebonuk, Díli, o Chefe do Governo afirmou que Timor-Leste entra numa nova fase do desenvolvimento das telecomunicações, deixando de depender, em grande medida, das ligações internacionais por satélite e por rádio, consideradas mais dispendiosas e vulneráveis.
“Hoje damos mais um passo importante, com o início da exploração comercial deste ativo nacional pela Cabos de Timor-Leste. Isto significa que o nosso país deixará de depender, em tão grande medida, das dispendiosas e menos fiáveis ligações por satélite e por rádio”, afirmou.
Xanana Gusmão recordou que o primeiro-cabo submarino de fibra ótica chegou às costas timorenses em junho de 2024 e que, desde então, foi instalado, ligado à rede e submetido a testes técnicos, culminando agora com a entrada em funcionamento comercial.
O Chefe do Executivo salientou que o investimento concretiza uma visão definida no Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030, que identifica as telecomunicações como uma infraestrutura essencial para impulsionar o crescimento económico, melhorar os serviços públicos e reforçar a integração do país na economia digital regional e global.
Segundo o PM, o sucesso do projeto será avaliado pela sua capacidade de melhorar a vida da população, permitindo às escolas aceder a mais recursos educativos digitais, aos centros de saúde recorrer à telemedicina, aos serviços públicos disponibilizar atendimento mais eficiente e às empresas, aos agricultores e às cooperativas expandirem as suas atividades através de uma melhor conectividade.
O Chefe do Governo defendeu igualmente que a nova infraestrutura contribuirá para diversificar a economia nacional, reduzir a dependência das receitas petrolíferas e criar novas oportunidades de emprego para os jovens nas áreas das tecnologias de informação, desenvolvimento de software, telecomunicações, cibersegurança e serviços digitais.
“Os nossos jovens não devem ser apenas consumidores de tecnologia. Devem possuir as competências e as oportunidades necessárias para utilizar a tecnologia na criação de empresas, na prestação de serviços e na resolução dos desafios que o nosso país enfrenta”, sublinhou.
Xanana Gusmão acrescentou que o investimento em infraestruturas digitais deve ser acompanhado pela formação de recursos humanos nacionais, apelando ao reforço da cooperação entre o Governo, universidades, instituições de formação técnica e setor privado para preparar engenheiros, técnicos, programadores e especialistas.
O PM destacou ainda que a adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático exige o reforço da conectividade regional, revelando que, após a ligação através da Austrália, o país pretende desenvolver novas ligações com a Indonésia e com outras redes regionais, aumentando a capacidade e a resiliência do sistema nacional de telecomunicações.
No domínio da segurança digital, alertou para os riscos associados ao aumento da utilização da internet, nomeadamente o cibercrime, a fraude eletrónica e os ataques informáticos, assegurando que o Executivo continuará a fortalecer o quadro legal e institucional para proteger os cidadãos, as empresas e os sistemas do Estado.
Por sua vez, o Ministro dos Transportes e Comunicações e Presidente do Conselho Geral da CTL, Miguel Manetelu, afirmou que o lançamento comercial do sistema concretiza uma visão iniciada em 2014 pelo V Governo Constitucional, para ligar Timor-Leste à infraestrutura digital mundial através de um cabo submarino de fibra ótica.
O ministro explicou que o projeto evoluiu graças à parceria estabelecida com a empresa internacional Vocus, iniciada em 2016, e que o sistema integra 607 quilómetros de fibra ótica, sete repetidores óticos e uma unidade de derivação, constituindo a primeira ligação física direta de Timor-Leste à rede internacional de comunicações.
Miguel Manetelu referiu que, antes da entrada em operação comercial, o sistema foi sujeito a rigorosos testes técnicos envolvendo instituições públicas e os três operadores nacionais de telecomunicações — Timor Telecom, Telkomcel e Telemor —, tendo cumprido todos os requisitos operacionais e de desempenho.
Segundo o governante, a Vocus confirmou, no início deste mês, que o sistema satisfazia todas as exigências técnicas para iniciar a prestação de serviços comerciais. “O que hoje inauguramos não é apenas um cabo submarino. Iniciamos um novo capítulo na história de Timor-Leste”, afirmou.
O Governo começou a utilizar o cabo submarino em 2025 para assegurar a ligação à internet das instituições do Estado, incluindo os ministérios e a administração pública nos municípios. No início de 2026, os operadores de telecomunicações também iniciaram a ligação a esta nova infraestrutura.
“Este grande investimento não se destina apenas a responder às necessidades atuais, mas também a beneficiar o povo timorense a longo prazo. Esta oportunidade deve ser aproveitada da melhor forma, mas é igualmente necessário reforçar as capacidades nacionais em matéria de cibersegurança e prevenção do cibercrime”, afirmou o governante.
Relativamente à capacidade da internet, explicou que o cabo submarino tem uma capacidade total de 27 terabyts, estando atribuída a Timor-Leste uma capacidade de 13,5. Atualmente, a utilização máxima da capacidade de internet no país ronda os 40 gigabyts, o que significa que existe ainda uma margem significativa de capacidade disponível.
“Quanto ao fornecimento de Internet aos operadores de telecomunicações e aos fornecedores de serviços de internet, isso dependerá do mercado e da quantidade de capacidade que cada operador pretender adquirir. Durante o primeiro ano, disponibilizaremos esta capacidade por 17 dólares, devido à promoção de 50%”, explicou.
Notícia relevante: Governo analisa progressos do sistema de cabo submarino e da rede nacional de fibra ótica
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

