DÍLI, 8 de julho de 2026 (TATOLI) – O combate à poluição do ar atravessa um período de estagnação, apesar dos progressos registados na última década. O alerta é da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O organismo divulgou, recentemente, novos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e revelou que as desigualdades entre países continuam a ser profundas e a comprometer a saúde de milhares de milhões de pessoas.
Segundo os dados da OMS, os níveis globais de partículas finas em suspensão (PM2,5) diminuíram até 2020, mas desde então praticamente não registaram melhorias. A situação é particularmente preocupante nos países de baixo e médio rendimentos, onde a exposição à poluição do ar permanece muito superior à observada nas economias mais desenvolvidas.
Para a organização, enfrentar a crise climática e a poluição atmosférica exige informação fiável e sistemas de monitorização robustos. A organização defende que a ciência deve orientar as políticas públicas e apela ao reforço da cooperação entre diferentes setores para garantir o acesso universal ao ar limpo e à energia limpa.
“É essencial colocar a ciência no centro das ações de monitorização”, sublinhou Bruce Gordon, Diretor interino do Departamento de Ambiente, Alterações Climáticas e Migração da OMS.
Os dados mostram que em 2023 o número de pessoas expostas a concentrações de partículas finas superiores ao valor intermédio de 35 microgramas por metro cúbico, definido pelas diretrizes da OMS para a qualidade do ar, foi 13 vezes superior nos países de baixo e médio rendimentos do que nos países de elevado rendimento. No total, cerca de 6,5 mil milhões de pessoas foram afetadas.
A situação agrava-se no interior das habitações. Em 2024, cerca de dois mil milhões de pessoas continuavam a utilizar fogões ineficientes e combustíveis poluentes para cozinhar e ficavam expostas a elevados níveis de poluição doméstica.
A OMS alerta que a exposição prolongada à poluição atmosférica e doméstica aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crónica e cancro do pulmão, afetando sobretudo as populações mais vulneráveis.
Segundo a organização, 90% dos impactos provocados pela exposição a níveis inseguros de poluição do ar concentram-se nos países de baixo e médio rendimento. Destes, 83% estão associados a doenças crónicas não transmissíveis.
Os indicadores revelam igualmente fortes diferenças regionais. A Ásia continua a apresentar os níveis mais elevados de poluição atmosférica, mas é também a região onde se verificaram as maiores reduções na última década.
Já em África, Ásia Ocidental e no Norte de África registaram poucos ou nenhuns progressos e os níveis de poluição mantém-se elevados ao longo dos últimos anos.
Nas cidades, embora a poluição continue a ser geralmente superior à registada nas zonas rurais, verificaram-se reduções significativas independentemente do nível de rendimento dos países. Já nas áreas rurais, a evolução é mais desigual e, em alguns países de baixo rendimento, os níveis de poluição continuam mesmo a aumentar.
A desigualdade também é evidente no acesso a combustíveis e tecnologias limpas para cozinhar. Apesar desse acesso ter praticamente duplicado em grande parte da Ásia desde 2010, continua a deteriorar-se em regiões como a África Subsaariana, a Ásia Ocidental, o Norte de África e a Oceânia, excluindo a Austrália e a Nova Zelândia.
Atualmente, 89% da população urbana dispõe de acesso a soluções limpas para cozinhar. Contudo, dos cerca de dois mil milhões de pessoas que ainda dependem de combustíveis poluentes, aproximadamente 1,5 mil milhões vivem em zonas rurais.
Na África Subsaariana, quase 970 milhões de pessoas continuam sem acesso a energia limpa para cozinhar. A OMS estima que este número possa atingir mil milhões até 2027 e prevê que, em 2030, cerca de 58% do défice global de acesso esteja concentrado naquela região.
Meta passa por reduzir a mortalidade até 2040
Os novos dados acompanham três indicadores fundamentais dos ODS: a mortalidade atribuível à poluição do ar ambiente e doméstico, a utilização de combustíveis e tecnologias limpas para cozinhar e os níveis anuais de partículas finas nas cidades.
Com estes indicadores, a OMS pretende apoiar a meta de reduzir em 50% a mortalidade associada à poluição do ar até 2040, contribuindo simultaneamente para o objetivo de garantir o acesso universal à energia limpa para cozinhar até 2030.
A organização considera que, sem o reforço da monitorização, da cooperação internacional e do investimento em soluções sustentáveis, será difícil inverter a atual estagnação e reduzir as profundas desigualdades que continuam a marcar o impacto da poluição na saúde pública mundial.
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Equipa da Tatoli




