DÍLI, 30 de junho de 2026 (TATOLI) – O estudante Marliano Oqui, da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno, não escondeu a sua satisfação ao afirmar que se sente “honrado, orgulhoso e muito privilegiado” por frequentar o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE).
Marliano, que atualmente frequenta o 12.º ano, iniciou o seu percurso educativo nesta escola no pré-escolar.
“Frequento a escola CAFE em Oé-Cusse desde o pré-escolar, em 2014, e vou concluir o meu ensino secundário este ano”, referiu, com satisfação, durante a visita oficial do Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Alves, esta segunda-feira, à escola.
O estudante afirmou que ser aluno do CAFE representa uma experiência rica e desafiante, sobretudo pela oportunidade de aprender o português, que ainda é pouco falado, apesar de ser uma das línguas oficiais, a par do tétum.
“Ser estudante do CAFE em Timor-Leste significa ter um espaço adequado para aprender o português. Posso dizer que estudar no CAFE significa estar num lugar honrado e muito privilegiado para aprender e preparar-me para o futuro”, afirmou.
O estudante destacou igualmente o ambiente escolar, que descreveu como calmo, limpo e acolhedor, resultado da “boa” cooperação entre o Ministério da Educação de Timor-Leste e o Governo de Portugal. Sublinhou ainda o empenho diário dos professores timorenses e portugueses, marcado pela dedicação, pela persistência e pelo espírito de colaboração.
“Os professores transmitem-nos uma lição muito importante que nunca vou esquecer. Normalmente, dizem na aula: ‘Estuda muito para preparar o futuro’, e para mim não há nada mais valioso do que isso”, contou.
Nova luta: não com armas, mas com caneta e livros
Marliano Oqui recordou que, enquanto nação jovem que restaurou a independência em 2002 após uma longa luta, a geração atual tem uma responsabilidade acrescida, uma vez que muitos pais e avós não tiveram oportunidade de ler e escrever.
“O Coordenador da escola diz muitas vezes: ‘Lembrem-se sempre que, no passado, os vossos avós e pais foram heróis, morreram, derramaram sangue e lutaram pela nossa liberdade e independência. Agora depende de vocês continuar essa luta. Mas não com armas e violência, e sim com cadernos, canetas e livros’”, afirmou, com orgulho.
O estudante acrescentou que esta mensagem é profundamente encorajadora e faz com que veja a escola CAFE como a sua segunda casa e uma grande família.
“Faço parte desta família e o CAFE estará sempre no meu coração. Agradeço a Portugal por continuar a cooperar com Timor-Leste através do Projeto CAFE, permitindo-nos transformar o nosso futuro”, referiu.
Após ouvir as palavras do estudante Duarte Alves mostrou-se emocionado e aproximou-se para abraçar Marliano Oqui.
“Continue a estudar, agora é o teu tempo para aprender”, disse o diplomata ao estudante, encerrando o momento com um aperto de mão, um abraço e uma fotografia conjunta como sinal de amizade e reconhecimento do esforço do jovem estudante.
Jornalista: Abílio Elo Nini/Tradutor: Afonso do Rosário
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo




