DÍLI, 6 de julho de 2026 (TATOLI) – O Parlamento Nacional (PN) manifestou, esta segunda-feira, profundo pesar pela morte do Padre João Felgueiras, jesuíta português que dedicou mais de cinco décadas da sua vida ao serviço da Igreja e do povo timorense.
O sacerdote faleceu, aos 105 anos, no passado dia 3 de julho, às 17h30, na clínica privada Dili Medical Center, vítima de doença.
Durante a sessão plenária, deputados de várias bancadas parlamentares prestaram homenagem ao sacerdote, recordando o seu contributo para a educação, para a resistência timorense e para a defesa dos direitos humanos durante a ocupação indonésia.
A deputada da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), Lídia Norberta, apresentou condolências à Companhia de Jesus e destacou o papel do sacerdote na formação de várias gerações de timorenses.
A parlamentar recordou que foi aluna do Externato de São José, onde teve o Padre João Felgueiras como professor, sublinhando a sua dedicação ao povo timorense durante o período da resistência.
“O Padre foi um verdadeiro refúgio e uma fonte de esperança para todos os timorenses que lutaram pela independência. A sua partida deixa-nos profundamente entristecidos”, afirmou.
Também o deputado da FRETILIN Antoninho Doutel Sarmento lamentou a morte de um sacerdote que dedicou grande parte da sua vida ao serviço da Igreja Católica em Timor-Leste.
“O Padre dizia frequentemente que quem pretende fazer política deve fazê-lo com moral. Que descanse em paz no Reino de Deus”, declarou.
Por sua vez, Maria Gorumali Barreto, do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), recordou o apoio prestado pelo jesuíta às populações durante a ocupação indonésia, em particular às mulheres vítimas de violência sexual, perseguição e prisão.
A parlamentar salientou ainda que, embora João Felgueiras tenha partido fisicamente, o seu legado permanecerá vivo na memória do povo timorense.
Na mesma linha, a deputada do Partido Libertação Popular (PLP), Maria Angelina Sarmento, propôs a aprovação de um voto de pesar, como forma de reconhecer publicamente a dedicação e o serviço prestados pelo sacerdote ao país.
Padre Felgueiras – uma vida que se mistura com a história de Timor-Leste
João Felgueiras nasceu em Caldas das Taipas, Guimarães, Portugal, a 9 de junho de 1921. Entrou na Companhia de Jesus aos 21 anos e foi ordenado sacerdote aos 29.
Chegou a Timor-Leste em 1971 para exercer as funções de vice-reitor do Seminário da Diocese de Díli. Foi também professor de Língua Portuguesa no Externato de São José, onde contribuiu para a formação de várias personalidades timorenses, entre as quais o antigo Primeiro-Ministro Rui Maria de Araújo.
Após a invasão indonésia de 1975, decidiu permanecer em Timor-Leste, apesar dos riscos e da vigilância permanente das autoridades ocupantes. Durante esse período, prestou apoio humanitário e espiritual à população, tornando-se uma das figuras mais respeitadas da resistência timorense.
Em 2006 publicou, em coautoria com José Alves Martins, o livro Nossas Memórias de Vida em Timor, obra que retrata acontecimentos marcantes da história do país entre a invasão indonésia e a restauração da independência.
Ao longo da vida, o sacerdote afirmou repetidamente que desejava viver e morrer em Timor-Leste.
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Jornalista: Nelson de Sousa/ Tradução: Equipa da Tatoli
Editora: Maria Auxiliadora




