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Joaquim da Fonseca: Fiji não podem adotar integralmente modelo de reconciliação de Timor-Leste

Joaquim da Fonseca: Fiji não podem adotar integralmente modelo de reconciliação de Timor-Leste

O Presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação das Fiji (FTRC, em inglês), Joaquim da Fonseca. Foto:DR

DÍLI, 13 de abril de 2026 (TATOLI) – O Presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação das Fiji (FTRC, em inglês), Joaquim da Fonseca, afirmou que o processo de reconciliação daquele país não pode replicar integralmente o modelo de Timor-Leste, devido às diferenças nos contextos social, político e histórico.

Em entrevista à Tatoli, o diplomata timorense explicou que, desde a sua criação, a comissão fijiana tem analisado várias experiências internacionais, incluindo as de Timor-Leste, do Ruanda, da Serra Leoa e das Ilhas Salomão, utilizando-as como referência a adaptar à realidade local.

“As Fiji têm as suas especificidades. Não podemos simplesmente copiar modelos de outros países. É necessário compreender a sociedade e o seu contexto antes de definir uma abordagem de reconciliação”, afirmou.

Segundo o responsável, o processo em curso centra-se na recolha de testemunhos de sobreviventes e de pessoas envolvidas em diferentes episódios de conflito, incluindo golpes de Estado. No quadro jurídico da comissão, não se distingue entre vítimas e perpetradores, mas entre sobreviventes e participantes nos acontecimentos, considerados testemunhas.

Joaquim da Fonseca sublinhou que esta recolha é essencial para construir uma compreensão partilhada dos factos, tendo em conta as diferentes perceções existentes na sociedade fijiana.

“Ao reunir diferentes versões dos acontecimentos, conseguimos estabelecer factos e oferecer uma visão mais completa da história vivida pelas Fiji”, referiu.

O Presidente da FTRC destacou ainda a forte dimensão étnica dos conflitos no país, particularmente entre a comunidade indo-fijiana e a população indígena. Nesse sentido, a composição da comissão foi concebida para assegurar um equilíbrio entre os diferentes grupos, promovendo a confiança e a coesão social.

No âmbito da sua estratégia, a comissão prevê organizar um diálogo nacional que reúna líderes políticos, militares e religiosos, com o objetivo de reforçar o compromisso coletivo com a paz e com a unidade nacional.

“Queremos criar um espaço onde os líderes possam ouvir diretamente os testemunhos dos sobreviventes e renovar o compromisso com um futuro mais pacífico”, afirmou.

O diplomata acrescentou que a reconciliação é um processo gradual, que não pode ser concluído num curto espaço de tempo, estimando que o contributo da comissão represente apenas parte do esforço global.

“A comissão poderá contribuir com cerca de 60%. O restante dependerá da forma como a sociedade interpreta o relatório, compreende a sua história e escolhe o caminho da paz”, disse.

A comissão está a desenvolver iniciativas de preservação de arquivos, em colaboração com instituições nacionais e incluindo arquivos do Estado e de museus, com vista à construção da memória institucional.

Joaquim da Fonseca considera ainda que não é adequado comparar diretamente os conflitos nas Fiji e em Timor-Leste, dada a especificidade de cada contexto, embora reconheça que os impactos sociais e económicos são significativos em ambos os casos.

No final, expressou esperança de que a sua contribuição possa reforçar o processo de paz nas Fiji e evidenciar a capacidade de Timor-Leste para apoiar iniciativas de reconciliação a nível internacional.

Recorde-se que Joaquim Fonseca tinha sido empossado como Presidente da FTRC, no passado dia 29 de janeiro, na capital fijiana, Suva.

A FTRC foi estabelecida na sequência de golpes de Estado e períodos de turbulência em 1987, 2000 e 2006 nas Fiji, com impactos profundos nas comunidades e na estabilidade do país.

A Comissão tem como missão apurar a verdade sobre conflitos políticos do passado e o seu impacto no presente, promovendo a reconciliação e apoiando a cura das feridas e dos traumas nacionais. O seu trabalho visa identificar danos físicos e emocionais, perdas de vidas e bens, bem como injustiças sistémicas, com o objetivo de reforçar a unidade e a coesão social.

Notícia relevante: Fiji escolhe timorense Joaquim da Fonseca para Presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação do país

Jornalista: Cidalia Fátima/Tradução: Equipa da Tatoli

Editora: Armandina Moniz

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