DÍLI, 14 de abril de 2026 (TATOLI) — O Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas apresentou, esta terça-feira, um relatório sobre a avaliação do solo e sobre o mapeamento de áreas com potencial para o desenvolvimento dos setores agrícola, pecuário, das pescas e florestal no país.
O documento resulta de uma parceria com a Universidade Udayana, em Bali, na Indonésia, no âmbito de um estudo realizado entre 2024 e 2025 em todo o território. A investigação teve como objetivo avaliar o uso adequado dos solos e identificar áreas com maior aptidão produtiva.

O Ministro da tutela, Marcos da Cruz, destacou a importância do estudo, sublinhando que os resultados permitem identificar as zonas mais adequadas para diferentes atividades produtivas. O governante referiu ainda que o relatório constitui um instrumento de apoio ao planeamento, sobretudo a nível municipal, ao identificar constrangimentos e apresentar soluções concretas.
De acordo com o documento, existem diferenças significativas na qualidade dos solos entre municípios, com algumas áreas a apresentarem menor fertilidade e outras maior potencial produtivo. O relatório inclui recomendações técnicas para prevenir a degradação dos solos e melhorar o seu aproveitamento, servindo de base para o planeamento futuro nos setores produtivos.
Marcos da Cruz salientou que o documento assume particular relevância no atual contexto de preparação para a implementação do poder local, ao fornecer informação que poderá apoiar as autoridades municipais na definição de estratégias de desenvolvimento ajustadas às suas realidades.
Presente na cerimónia, o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, sublinhou que o relatório facilitará a elaboração de políticas públicas mais eficazes, enquadradas no processo de descentralização em curso.

Xanana Gusmão defendeu também a necessidade de se reforçar as infraestruturas básicas, nomeadamente estradas e eletricidade, para melhorar as condições de vida da população e garantir que os benefícios da governação local sejam efetivamente sentidos.
O Chefe do Executivo recordou que o país assinalará este ano o 24.º aniversário da restauração da independência e alertou para a necessidade de se reduzir a dependência externa, promovendo a produção nacional. “Importamos praticamente tudo, incluindo produtos que podemos produzir localmente”, afirmou.
Por sua vez, o Vice-Reitor da Universidade Udayana, Gusti Ngurah Wirya, destacou a importância da cooperação com Timor-Leste, salientando o contributo do estudo para o reforço da segurança alimentar, para a gestão sustentável dos recursos naturais e para o desenvolvimento regional integrado.

Segundo o responsável, o relatório surge numa fase importante para o país, que se prepara para reforçar a sua integração regional no âmbito da Associação das Nações do Sudeste Asiático. Acrescentou que os resultados do estudo poderão servir de base para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais eficientes e sustentáveis, com maior valor económico.
O documento está também alinhado com estratégias de promoção da economia verde, incentivando a utilização eficiente dos recursos, a conservação ambiental e o desenvolvimento de setores como as pescas, a aquicultura e a gestão costeira.
Notícia relevante: Estudo timorense-indonésio define mapeamento científico do potencial agrícola
Jornalista: Arminda Fonseca/Tradução: Equipa da Tatoli
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo




