DÍLI, 29 de janeiro de 2026 (TATOLI) – O timorense Joaquim da Fonseca tomou hoje posse como Presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação das Fiji (FTRC, em inglês), numa cerimónia oficial presidida pelo Presidente das Fiji, Ratu Naiqama Lalabalavu, realizada na State House, localizada na capital daquele país, Suva.
Segundo fonte governamental das Fiji, a nomeação ocorre numa fase considerada decisiva para o mandato da Comissão, que passa agora a ser liderada por Joaquim da Fonseca, em conjunto com quatro Comissários nacionais: o antigo Juiz do Supremo Tribunal, Sekove Naqiolevu; a especialista em género e formadora em liderança, Ana Laqeretabua; a assessora em direitos humanos e especialista em comunicação, Rachna Nath; e o antigo piloto da Fiji Airways, Capitão Rajendra Dass.
Ao aceitar o cargo, Joaquim da Fonseca afirmou que assumirá a função com humildade e sentido de responsabilidade. “A reconciliação não é um destino, mas sim uma jornada que exige a coragem de toda a nação. Sinto-me honrado por caminhar lado a lado com o povo das Fiji neste percurso”, declarou.
Com mais de duas décadas de experiência nas áreas de reconciliação, construção da paz, justiça transicional e direitos humanos, Joaquim da Fonseca tem desempenhado um papel relevante nos processos de reconciliação em Timor-Leste desde 1999. A sua participação incluiu mecanismos implementados durante a Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste, bem como a consolidação de processos nacionais que continuam a orientar o país na resolução pacífica de conflitos e no reforço da unidade nacional.
Segundo o novo Presidente da FTRC, a experiência timorense demonstra que, apesar das limitações legais e políticas inerentes a estes mecanismos, a integridade do processo é fundamental.
“O reconhecimento e a validação das experiências dos sobreviventes e das testemunhas constituem, por si só, uma forma de justiça”, sublinhou, manifestando a expectativa de que estas lições possam apoiar as Fiji na busca da verdade, na cura dos traumas e no fortalecimento da unidade nacional.
A carreira de Joaquim da Fonseca inclui ainda funções diplomáticas de alto nível, tendo servido como Embaixador de Timor-Leste no Reino Unido, nos Países Baixos e junto das Nações Unidas, em Genebra. Ao longo do seu percurso, destacou-se pela promoção do diálogo entre Governos, sociedade civil e instituições multilaterais, com vista ao reforço da justiça, da reconciliação e da coesão social.
A FTRC foi criada ao abrigo da Lei da Comissão de Verdade e Reconciliação de 2024. Nos termos da Secção 5, subseções (2) e (3), a Comissão é composta por cinco Comissários nomeados pelo Presidente da República, dos quais três devem ser cidadãos das Fiji, cabendo ao Chefe de Estado a nomeação do Presidente da Comissão entre os seus membros.
A FTRC foi estabelecida na sequência de golpes de Estado e períodos de turbulência em 1987, 2000 e 2006 nas Fiji, com impactos profundos nas comunidades e na estabilidade do país.
A Comissão tem como missão apurar a verdade sobre conflitos políticos do passado e o seu impacto no presente, promovendo a reconciliação e apoiando a cura das feridas e dos traumas nacionais. O seu trabalho visa identificar danos físicos e emocionais, perdas de vidas e bens, bem como injustiças sistémicas, com o objetivo de reforçar a unidade e a coesão social.
Equipa da Tatoli




