DÍLI, 9 de janeiro de 2026 (TATOLI) – O Governo lançou ontem, no auditório do Ministério das Finanças, em Díli, o Sistema Integrado de Gestão da Administração Pública, designado por Planeamento de Recursos do Governo (GRP, em inglês), uma plataforma digital destinada a reforçar a eficiência, a transparência e o controlo na utilização dos recursos públicos.
O sistema foi lançado pelo Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, na presença de membros do Governo, dirigentes das instituições do Estado e técnicos da área financeira.
O GRP é um sistema integrado que permite planear, executar e monitorizar os processos de gestão orçamental, financeira, de aprovisionamento e de contratos públicos, estando baseado na plataforma FreeBalance e alinhado com o Código de Aprovisionamento e Contratos Públicos do país.
O sistema promove o princípio do value for money, assegurando relação entre custo, qualidade, prazo e sustentabilidade, bem como a obrigatoriedade do uso de meios eletrónicos nos processos administrativos e financeiros.
Intervindo no evento, o Chefe do Governo apelou a todos os dirigentes das instituições do Estado para que executassem o Orçamento Geral do Estado (OGE) com “responsabilidade, honestidade e um forte compromisso com o serviço público”.
Xanana Gusmão sublinhou que a gestão orçamental em 2026 deve ser orientada por um espírito de correção de erros passados e por uma vontade coletiva de construir o país de forma sustentável.
O PM recordou os 24 anos da restauração da independência, comparando os desafios do período da luta com as dificuldades da construção do Estado. Segundo afirmou, edificar instituições sólidas, desde a Presidência da República ao Parlamento Nacional, ao Governo e ao sistema judicial, exige compromisso e sentido de progresso, algo que, no seu entender, nem sempre tem sido plenamente demonstrado.
Xanana Gusmão apontou a falta de compromisso como um dos principais entraves à boa governação, apesar de as responsabilidades estarem claramente atribuídas. “Muitas pessoas aceitam cargos e funções, mas não assumem verdadeiramente o dever de os cumprir”, advertiu, apelando a que 2026 seja iniciado com uma atitude responsável e um desempenho efetivo por parte de todos os servidores do Estado.
O Chefe do Executivo salientou ainda que, caso cada instituição e cada funcionário público cumpram devidamente o seu papel, Timor-Leste poderá não só evitar uma imagem negativa no plano internacional, como também afirmar-se como um exemplo positivo. Reforçou igualmente que o orçamento em execução resulta dos impostos e contribuições do povo, devendo, por isso, ser utilizado com rigor e transparência em todas as fases, desde o planeamento até à execução.
“Este ano temos de mostrar à população que melhoramos e, no próximo, que faremos ainda mais. É essencial aproveitar este momento para reforçar a capacidade de servir em todas as instituições do Estado, com um único propósito: servir o país e o povo”, afirmou.
No fim da cerimónia, Xanana Gusmão procedeu ainda à entrega simbólica dos documentos do OGE de 2026 às instituições públicas, assinalando o início da execução orçamental e apelando a um esforço conjunto para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.
Notícia relevante:Seminário do MF visa reforçar transparência e gestão do OGE de 2026
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




