Discutida possibilidade de transladação dos restos mortais de bispos timorenses para Timor-Leste

DÍLI, 16 de dezembro de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, reuniu-se hoje, no Palácio Presidencial, em Díli, com a Conferência Episcopal Timorense (CET) para discutir a possibilidade de trasladar para Timor-Leste os restos mortais de bispos timorenses sepultados em Portugal.
O encontro contou com a presença do Arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de Díli, Dom Virgílio Cardeal do Carmo da Silva, do Presidente da CET e Bispo da Diocese de Maliana, Dom Norberto Amaral, e do Bispo da Diocese de Baucau, Dom Leandro Alves.
Segundo Dom Virgílio, a reunião teve por base uma carta enviada pelo Chefe de Estado à CET, na qual manifestou abertura para um diálogo institucional sobre a eventual transladação dos restos mortais de Dom Martinho Lopes, de Dom Jaime Goulart, primeiro Bispo de Timor, e de Dom José Joaquim Ribeiro, segundo Bispo timorense.
De acordo com Dom Virgílio, o PR considerou que a iniciativa surge num momento oportuno para uma reflexão conjunta entre o Estado e a Igreja, tendo ambas as partes alcançado um entendimento preliminar para dar início aos preparativos necessários.
“O processo de transladação está previsto, em princípio, para ocorrer em 2026. Contudo, a sua concretização dependerá de contactos diplomáticos, negociações com as autoridades portuguesas e de uma preparação logística e institucional cuidadosa. A expectativa é que, caso as condições estejam reunidas, a transladação possa ser realizada a partir do outubro”, informou os jornalistas, após o término da reunião com o Chefe de Estado, em Díli.
Dom Virgílio Cardeal acrescentou que Ramos-Horta se comprometeu a assumir a coordenação institucional com Portugal e a trabalhar em estreita articulação com a CET, com vista à organização adequada do processo, considerado de elevado significado histórico, religioso e nacional.
Vale lembrar que a Igreja Católica tem desempenhado um papel central na história do país, particularmente durante o período colonial e os anos de resistência, sendo os bispos figuras de referência espiritual, social e moral para o povo.
Dom Jaime Goulart, primeiro Bispo de Timor, foi responsável pela organização inicial da estrutura eclesiástica no território, lançando as bases da administração pastoral. O seu sucessor, Dom José Joaquim Ribeiro, deu continuidade ao processo de consolidação da Igreja Católica em Timor.
Já Dom Martinho Lopes destacou-se pelo seu compromisso pastoral e pela proximidade com o povo timorense em momentos sensíveis da história nacional.
Notícia relacionada: Ramos-Horta aponta o diálogo como único caminho para se prevenir conflitos e fortalecer a unidade nacional
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

