Timor GAP adquire participação da Woodside no Greater Sunrise por 200 milhões de dólares

DÍLI, 27 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Timor GAP, empresa pública nacional de petróleo e gás, vai assumir a totalidade da participação da empresa australiana Woodside Energy no projeto de gás natural Greater Sunrise, no Mar de Timor, após a assinatura de um acordo de compra e venda avaliado em 200 milhões de dólares americanos. O objetivo é acelerar o desenvolvimento dos campos através de um gasoduto até à costa sul de Timor-Leste.
A parceria foi formalizada esta terça-feira, em Díli, e prevê a transferência dos interesses participativos da Woodside nos campos de Greater Sunrise para a empresa nacional.
Durante uma conferência de imprensa no Hotel Timor, a Vice-Presidente-Executiva de Desenvolvimento Técnico e Energético da Woodside, Julie Fallon, esclareceu que a decisão de vender a participação não resulta de dúvidas sobre a viabilidade económica do projeto, mas da estratégia da empresa de reorganizar o seu portefólio de investimentos.
“A Woodside vê oportunidades no Greater Sunrise, mas está a prosseguir um programa disciplinado de gestão do portefólio e a simplificar os seus investimentos”, afirmou, salientando que a empresa pretende concentrar o capital e os recursos em oportunidades mais alinhadas com a sua estratégia empresarial, reconhecendo, contudo, o potencial do Greater Sunrise sob a liderança da Timor GAP.
Julie Fallon explicou que a decisão também está relacionada com os progressos alcançados nas negociações entre os Governos de Timor-Leste e da Austrália e os parceiros da Sunrise Joint Venture.
Em agosto de 2026, as partes chegaram a um entendimento substancial sobre os princípios fundamentais do quadro regulatório e fiscal necessário para avançar com o desenvolvimento do projeto. “Com esse entendimento, consideramos que este é o momento adequado para a Woodside se retirar, uma vez que estão abertas oportunidades para fazer avançar o Greater Sunrise”, declarou.
A responsável acrescentou que a empresa australiana pretende colaborar com os dois Executivos, a Timor GAP, a Osaka Gas e os restantes intervenientes para assegurar uma transição ordenada e preservar os progressos alcançados.
Por sua vez, o Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco Monteiro, afirmou que a decisão de venda corresponde a um processo interno da empresa australiana, que o Governo timorense respeita. “A decisão faz parte do processo interno da Woodside. Desde o início, a nossa vontade tem sido continuar a fazer avançar este projeto”, afirmou.
O ministro explicou que, após os progressos no estabelecimento das fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália, foi necessário prosseguir as negociações para concluir três instrumentos fundamentais: o Código de Exploração Mineira de Petróleo, o quadro fiscal e os Contratos de Partilha de Produção.
Segundo Francisco Monteiro, as negociações relativas a estes documentos decorreram durante cerca de seis a sete anos e estão próximas da conclusão.
O governante agradeceu à Woodside pelos contributos técnicos prestados ao longo dos anos e destacou o trabalho desenvolvido por Julie Fallon e pela sua equipa na preparação das próximas fases do projeto.
Pagamento de 200 milhões de dólares em três fases
De acordo com o comunicado da Timor GAP, o valor total da aquisição está fixado em 200 milhões de dólares americanos, a pagar em três fases, nos termos estabelecidos no contrato.
A primeira parcela, de 13,71 milhões de dólares, será paga na conclusão da transação. A segunda, no valor de 11,29 milhões, será liquidada no prazo de 30 dias após a tomada da Decisão Final de Investimento.
A terceira parcela, de 175 milhões, será paga no prazo de 365 dias após o início do carregamento da primeira carga de Gás Natural Liquefeito (GNL), destinada à venda a um cliente, de acordo com as condições contratuais.
A maior parcela do pagamento está, assim, associada ao início da comercialização de GNL, enquanto a segunda depende da tomada da decisão final de investimento.
O Presidente e Diretor-Executivo da Timor GAP, Rui Soares, considerou a aquisição um marco importante para a empresa e para Timor-Leste, defendendo que a operação reforça a posição nacional para acelerar o desenvolvimento dos recursos do Greater Sunrise.
“Estamos agora numa posição mais sólida do que nunca para acelerar o desenvolvimento do Greater Sunrise e impulsionar o processo de seleção do conceito de desenvolvimento de Timor GNL, aproximando-nos da concretização da ambição de longa data do nosso país de desenvolver os recursos do Greater Sunrise na costa sul de Timor-Leste”, afirmou.
Rui Soares salientou que o projeto representa uma oportunidade para transformar a costa sul num polo industrial e energético, promovendo o desenvolvimento de competências, a criação de postos de trabalho para os cidadãos timorenses, o crescimento dos negócios locais e a dinamização da economia regional.
O responsável reconheceu, contudo, que a aquisição implica uma responsabilidade acrescida para a empresa.
“A aquisição da totalidade da participação no Greater Sunrise constitui uma conquista importante, mas acarreta também uma responsabilidade significativa. A nossa prioridade está agora em traduzir esta conquista em progressos concretos rumo ao desenvolvimento do projeto”, declarou.
Os campos de gás natural e condensado Sunrise e Troubadour, conjuntamente designados Greater Sunrise, situam-se a cerca de 150 quilómetros a sudeste de Timor-Leste e 450 quilómetros a noroeste de Darwin, no Território do Norte da Austrália.
A estratégia de desenvolvimento defendida por Timor-Leste prevê o transporte do gás através de um gasoduto até à costa sul, onde se pretende instalar infraestruturas para o processamento e a produção de gás natural liquefeito, no âmbito do conceito de Timor GNL.
A concretização do projeto dependerá da conclusão dos instrumentos jurídicos e comerciais necessários, da tomada da decisão final de investimento e do cumprimento das condições estabelecidas entre as partes.
Notícia relevante: Timor GAP assina acordos para exploração e desenvolvimento logístico no setor do petróleo e gás
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

