António Sampaio
Pequim, 17 de setembro de 2025 — Timor-Leste defendeu em Pequim, a criação de um sistema internacional de segurança mais justo, inclusivo e capaz de responder a novas ameaças globais. O apelo foi feito pelo ministro da Defesa, Contra-Almirante Donaciano do Rosário da Costa Gomes (Pedro Klamar Fuik), durante a sessão plenária de abertura do 12.º Fórum Xiangshan, um dos encontros mais relevantes da Ásia em matéria de defesa e segurança.
“Este Fórum transformou-se num espaço essencial para o diálogo estratégico e para a construção de confiança entre as nações, independentemente da sua dimensão ou poder”, afirmou o Ministro, lembrando que a cooperação é hoje mais urgente do que nunca.
O Fórum Xiangshan, organizado anualmente pelo Governo da República Popular da China, reúne ministros da Defesa, académicos e representantes de organizações internacionais para debater os grandes desafios da segurança global. Este ano, o tema central é a construção de um sistema de governação da segurança global que seja “justo e equitativo”.
A participação de Timor-Leste acontece num momento de crescentes tensões internacionais, com a globalização a aproximar economias e sociedades, mas também a expor fragilidades coletivas. “As ameaças de hoje – do terrorismo às alterações climáticas, das pandemias à cibersegurança – não conhecem fronteiras. Exigem soluções coletivas, mas enfrentam respostas fragmentadas”, sublinhou Donaciano.
Críticas ao sistema atual
No seu discurso, o Ministro identificou três causas para o défice da atual governação global, entre as quais as desigualdades estruturais, que marginalizam os países pequenos e em desenvolvimento. A aplicação seletiva das normas internacionais, usada consoante a conveniência e respostas insuficientes a ameaças emergentes, ainda tratadas como secundárias, são outras questões apontadas.
“Quando os Estados colocam interesses imediatos acima do bem comum, a segurança coletiva fragiliza-se e os povos tornam-se mais vulneráveis”, advertiu.
A experiência de Timor-Leste
Timor-Leste, recordou o Ministro, nasceu de uma longa luta pela autodeterminação e sabe, pela própria história, que a paz duradoura exige reconciliação, inclusão e dignidade humana.
“Somos um Estado jovem, mas acreditamos firmemente que até os países mais pequenos podem ter um papel relevante na construção de uma ordem internacional mais justa e equitativa”, afirmou.
O governante destacou ainda a participação das Forças Armadas timorenses em missões da ONU e operações bilaterais de paz, frisando que a solidariedade internacional é também construída com contribuições modestas, mas consistentes.
Novas prioridades na agenda global
O ministro timorense defendeu uma conceção alargada de segurança, que inclua não apenas a prevenção de conflitos armados, mas também ameaças invisíveis e transversais. Entre as prioridades timorenses, destacou as questões da segurança marítima – vital para um Estado insular dependente do mar – da resiliência climática, face ao impacto das alterações ambientais, da segurança alimentar, como elemento central da dignidade humana e da saúde global e cibersegurança, que afetam diretamente a estabilidade social.
“A governação da segurança deve proteger não apenas fronteiras, mas sobretudo vidas humanas e o futuro do planeta”, afirmou.
Diplomacia e cooperação com a China
A presença em Pequim incluiu também contactos bilaterais. A delegação timorense visitou a 3rd Guard Division”, onde assistiu a uma parada militar e foi recebida pelo Coronel Li Yanqin. O anfitrião apresentou a história da unidade militar chinesa, num gesto simbólico de aproximação entre os dois países.
O convite oficial partira da Embaixada da China em Díli, que sublinhou a importância da participação de Timor-Leste e solicitou colaboração estreita na preparação da delegação.
Compromisso com o futuro
Na parte final da sua intervenção, o Ministro da Defesa deixou uma mensagem de esperança e compromisso: “Timor-Leste acredita na paz, porque a conquistou com sacrifício; acredita na reconciliação, porque a viveu na sua própria sociedade; e acredita na cooperação, porque sabe que sozinho não poderia ter chegado até aqui”.
Garantiu ainda que o país continuará a investir nas suas Forças de Defesa como instrumentos não apenas de proteção nacional, mas também de apoio à paz, à cooperação internacional e ao desenvolvimento humano.




