DÍLI, 13 de julho de 2026 (TATOLI) – A Inteligência Artificial (IA) generativa não está a provocar despedimentos em massa nos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), mas deverá transformar a atividade profissional de cerca de 80 milhões de trabalhadores. Os dados constam de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O estudo analisa o impacto da IA generativa no mercado de trabalho dos Estados-Membros da ASEAN, incluindo Timor-Leste, cruzando o grau de exposição de cada profissão com os atuais níveis de adoção desta tecnologia pelas empresas.
A OIT conclui que 22,9% do emprego total da região apresenta algum nível de exposição à IA generativa. Entre estes, 3,3% dos trabalhadores – o equivalente a cerca de 11,7 milhões de pessoas – enquadram-se na categoria de “exposição muito elevada”. Em contrapartida, 67% dos postos de trabalho permanecem em profissões sem qualquer exposição identificada a estas ferramentas.
O relatório evidencia diferenças significativas entre os países da região. Singapura lidera o índice de exposição, com 42,2% dos trabalhadores potencialmente afetados, resultado do seu ecossistema tecnológico altamente desenvolvido, de infraestruturas avançadas e de políticas públicas coordenadas para a inovação.
As Filipinas ocupam a segunda posição, com 28,1% dos trabalhadores expostos, refletindo o peso dos setores dos serviços e das tecnologias da informação na economia. Já a Indonésia, o Vietname e a Tailândia registam níveis semelhantes de exposição, em torno dos 21%.
A OIT destaca igualmente diferenças entre homens e mulheres. Embora os níveis de exposição sejam semelhantes entre jovens e adultos, as mulheres têm o dobro da probabilidade de exercer funções suscetíveis de serem afetadas pela IA generativa.
Segundo a organização, esta realidade deve-se à maior concentração de mulheres em funções administrativas, de escritório e em profissões técnicas especializadas, onde a automatização de tarefas é mais provável.
O relatório sublinha ainda que a adoção da IA continua numa fase inicial, é desigual entre os diferentes setores económicos e permanece concentrada nas atividades tecnológicas.
Citado no estudo, o economista da OIT Christian Viegelahn afirma que os ganhos de produtividade proporcionados pela IA generativa dependerão sobretudo do investimento no capital humano e da existência de mecanismos eficazes de proteção social. Na sua perspetiva, o futuro do mercado de trabalho será determinado menos pelo grau de exposição à tecnologia e mais pelas políticas públicas adotadas.
Entre as principais recomendações da organização figuram a criação de um modelo de governação da IA centrado nas pessoas, a implementação de programas de requalificação profissional, o reforço do apoio financeiro e técnico às micro, pequenas e médias empresas e a promoção da cooperação e da partilha de conhecimento entre os Estados-Membros da ASEAN.
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Equipa da Tatoli




