DÍLI, 15 de setembro de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, condenou o ataque aéreo de Israel, no passado dia 9, em Doha, capital do Qatar, contra a delegação política do Hamas – grupo palestiniano que controla a Faixa de Gaza e que está envolvido em negociações para a libertação de reféns e para um possível cessar-fogo com o Governo israelita.
Num comunicado de imprensa, o Chefe de Estado afirmou que o ataque, que resultou em várias vítimas mortais, constitui uma “violação flagrante da soberania do Qatar” e um atentado contra os esforços diplomáticos de mediação para a paz, liderados pelo Emir Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani e pelo seu Executivo.
“Timor-Leste solidariza-se com as famílias das vítimas e com o Estado do Qatar, país irmão que, com coragem e dedicação, tem assumido um papel crucial na procura de um cessar-fogo duradouro em Gaza e na libertação de reféns”, afirmou Ramos-Horta.
No mesmo documento, o PR condenou ainda a violência em curso na Faixa da Gaza e na Cisjordânia, classificando as ações militares israelitas como “genocídio e limpeza étnica” contra o povo palestiniano, denunciando o sofrimento humano, as deslocações forçadas e a instabilidade geopolítica resultante do conflito prolongado.
“É inaceitável e imperdoável o silêncio cúmplice das elites políticas ocidentais perante o sofrimento humano transmitido diariamente em direto para o mundo. A violência, seja de Israel ou do Hamas, deve ser condenada, mas não será através de ataques contra civis inocentes que se alcançará justiça”, frisou.
O ataque em Doha gerou fortes reações a nível internacional. O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, líderes religiosos como o Papa Leão XIV, bem como vários Governos do Médio Oriente e da União Europeia, manifestaram repúdio e apelaram à urgência de um cessar-fogo imediato.
Timor-Leste juntou-se a estas vozes, apelando à comunidade internacional para intensificar os esforços diplomáticos, com vista a um cessar-fogo imediato, proteger os civis e construir uma solução política baseada nas resoluções da ONU para a questão palestiniana.
Como gesto de solidariedade, Ramos-Horta informou ainda que enviou uma carta oficial ao Emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, manifestando apoio ao povo catarense neste momento difícil.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




