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OPINIÃO

A  existência do Português no seio do povo Timorense ao longo de três períodos

A  existência do Português no seio do povo Timorense ao longo de três períodos

Autora : Flávia Maria Augusta Martins

Assuntos a serem apresentados :

– Como foi a existência do português no seio do povo timorense?

– Quais  foram e são os períodos históricos  da existência do português na ilha de Timor ?

O Período de Timor Português iniciou-se no século XVI e findou-se nos fins do  século  XX.

No século XVI a XVII, o português foi ministrado pelos padres dominicanos em Solar, Larantuca e ilha de Timor através da civilização católica e comércio. Na segunda metade do século XVIII, o bispo frei António de Castro ( 1738-1742), fundou o primeiro seminário em Oecusse. Em 1747 abria-se um segundo seminário em Manatuto. Os formadores foram os dominicanos. Em 1769, a praça de Lifau foi incendiada e mudou-se a capital para Dili. Naquela altura, os dominicanos fundaram escolas perto das igrejas. as catequeses foram formadas em português. Ao longo do século XIX, verificou-se na diminuição de missionários dominicanos. E isso teve consequência na ação missionária e naturalmente do ensino do português. Entre os anos 1830 a 1856, o primeiro padre timorense, Frei Gregório Maria Barreto dirigia uma escola rudimentar nos reinos de Oecusse-Ambeno.Em 1863, o governador Afonso de Castro fundou uma escola régia em Dili, destinada aos filhos dos chefes, e de outros principais. A direção dessa escola foi entregue ao segundo padre timorense, Jacob dos Reis e Cunha.  O grande desenvolvimneto das escolas e das missões deu-se em 1878, quando o padre António Joaquim de Medeiros, mais tarde bispo de Macau, estabeleceu o programa da educação da juventude timorense com a abertura de escolas rurais em Manatuto, Laclô, Lacluta, Samoro, Oecusse, Maubara, Baucau, Maliana,etc. A instrução, a certa altura era tão absorvente que os padres, dedicavam-se mais às escolas do que a missionação. Essa situação mudou tempestivamente com o governo do Bispo Dom José da Costa Nunes. Em 1924, fundou-se a escola de Preparação dos professores – catequistas. Os timorenses que tinham sido aprovados nessa escola, e depois de serem nomeados professores, foram colocados em diversas estações missionárias, tornando-se agentes principais do Ensino de Língua portuguesa nas aldeias e nos sucos. Em 1938, fundou-se o primeiro Liceu. Em 1940, 4% dos timorenses falavam o português, esses foram os funcionários, os professores e os catequistas, os liurais e chefes, aqueles que tinham tirado a 3ᵅ e a 4ᵅ classe em Dili e no colégio de Soibada.Até a invasão das tropas estrangeiras, Australianos e Holandeses num primeiro momento, e depois, os japoneses, o ensino ficou paralisado. Após 1945, retomou-se o ensino, reabrindo-se colégios e escolas.

 O Período da Ocupação da Indonésia (1975-1999)

No período da ocupação indonésia (1975-1999), o ensino de Língua portuguesa foi banido e proibido em todo o Território, exceção feita ao Externato de São José. Contudo, na guerrilha o português foi usado como Língua de comunicação oral e escrita entre os resistentes e os corpos diplomáticos dos países de Língua Portuguesa.

O Período da Pós-independência

Hoje, embora o Português fosse considerado a Língua Oficial de Timor, a par do Tétum, ( art.13 da Constituição de RDTL), a sua implementação depara-se com grandes obstáculos. Há setores da sociedade timorense que são contra o uso de Língua portuguesa, às Línguas nacionais (16) e Línguas estrangeiras ( o Bahasa indonésio e o Inglês) são fortes concorrentes do Português. O timorense, às vezes, recorre ao uso do idioma mais fácil para a comunicação (Tétum, Bahasa indonésio e  Inglês). Contudo, não é fácil de substituir a Língua portuguesa por interesse pessoal ou grupo neste contexto legal e formal.

Desafios:  Continuar a apostar no ensino e na prática de Língua portuguesa. Para isso, exige-se maior empenhamento dos governantes, para dar atenção máxima às formações dos professores, colocação e salário dos professores, maior distribuição de livros e de outro material, maior implantação da rádio e da televisão nos municipios e nos postos administrativos. E a necessidade de cooperação de todos os países da CPLP. Num mundo globalisado, o atual panorama da existência de 4 Línguas em Timor ( Tétum, Língua Portuguesa, Língua Indonésia e Língua Inglesa), são  enriquecedoras e vantajosas. Pois cada Língua é uma janela para o mundo. Por outro lado, está o orgulho da preservação da própria identidade nacional. E aqui vale a mensagem do Poeta : “ A minha Pátria é a minha Língua” ( Fernando Pessoa).

O Português apoia a lexicologia do Tétum

O português além de ser Língua Oficial de Timor-Leste a par do Tétum , ele não foi/é estranho para o povo timorense, além disso, o português faz importação de léxicos ao Tétum Praça, ou seja, Tétum Moderno. O português apoia desenvolver o Tétum no processo do ensino-aprendizagem na sala de aula. Neste sentido, a lei no. 6/2024 descreve que a Língua Tétum é a Língua de apoio no processo de ensino-aprendizagem, porque os aprendentes quando não entendem o conteúdo de alguma matéria em língua portuguesa, os professores utilizam-na para explicar o conteúdo em Tétum. Isso não significa que o Tétum só funciona como Língua de apoio, mas, pelo contrário, a Língua Tétum assume multi função na sociedade timorense como Língua franca, Língua de ensino-aprendizagem, Lingua oficial a par do Português e Língua de apoio.  Portanto, os contras não devem dizer que a Língua portuguesa não produz nenhum campo de trabalho, mas, sim, ajuda a desenvolver a lexicologia do Tétum no ambiente académico em Timor-Leste. Com a existência da lexicologia do português no Tétum, os falantes entendem um ao outro numa conversa de bilingue (Português e Tétum).

  • O português ser ou não ser Língua da criação do campo de trabalho, a culpa não é da língua portuguesa, mas, sim, dependendo das políticas públicas da negociação do governo timorense e do governo português. O dever do povo timorense ( estudantes) é aprender a Língua portuguesa como Língua Oficial.
  • O português ser ou não ser Língua de identidade dos contras e prós, o português mantém a sua posição na CRDTL como Língua Oficial. Os prós falam a favor da língua portuguesa porque são conscientes, de que sem a língua portuguesa não vamos ter desenvolvimento linguístico no Tétum Praça, principalmente na lexicologia.

Apesar de os timorenses possuem as suas línguas maternas como identidade de cada falante, o português sempre apoiava a desenvolver o Tétum como Língua Nacional e Língua Franca desse povo. Podemos aprender Línguas de campos de trabalho e outras Línguas além do português, mas o português nunca desafia os interessados na aprendizagem, porque quem tem mais conhecimentos em outras línguas, ele tem vantagem de ter acesso às informações diretas e indiretas na sua comunicação diária, porque cada língua é uma janela para o mundo. Graças a Língua portuguesa, Timor-Leste abria a porta para toda a gente no âmbito de ter acesso a outras linguas. Sem ela a maioria do povo timorense deve estar noutro mundo invisível exeto os prós da Indonésia que permanecem no mundo real e atual.

Conclusão:   A língua portuguesa é a língua nacional dos países da CPLP e é a  língua  oficial de Timor-Leste a par do Tétum após a restauração da independência de Timor-Leste. A língua portuguesa é a língua  da unidade nacional dos países lusofónos, de Macau e da diáspora. Os falantes quando não dominam esta língua é um desafio na comunicação escrita e oral. Dominarmos as  línguas não são desafios, contudo, quando não sabemos as línguas, especialmente, as duas línguas oficiais de Timor-Leste são desafios para os falantes timorenses, porque as ciências são escritas em língua portuguesa e ela está descrita na Constituição da RDTL, artigo 13. A língua é uma janela para o mundo.  Quem domina as 4 linguas aplicadas em Timor-Leste e as 16  línguas regionais, é uma grande vantagem para o falante. As línguas oficiais são desiganadas como identidade nacional dos falantes ao lado da Bandeira da RDTL. Apesar de os falantes possuem as suas identidades que são linguas regionais, contudo, há uma lingua oficial e nacional deste povo, que  são a  língua  portuguesa e a  língua  Tétum. (*)

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