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HEADLINE, OPINIÃO

O ESTUDO EVIDENCIA O AUMENTO DA TEMPERATURA (0,16 °C/DÉCADA) E A SUBIDA DO NÍVEL DO MAR (5,5 MM/ANO) EM TIMOR-LESTE.

O ESTUDO EVIDENCIA O AUMENTO DA TEMPERATURA (0,16 °C/DÉCADA) E A SUBIDA DO NÍVEL DO MAR (5,5 MM/ANO) EM TIMOR-LESTE.

Julião da Costa Belo

Por Julião da Costa Belo

As mudanças climáticas constituem um dos maiores desafios globais da atualidade, afetando diversos setores, como a agricultura, os recursos hídricos, a biodiversidade, a saúde e a economia. Os seus impactos são particularmente severos nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (Small Island Developing States – SIDS), devido à sua elevada vulnerabilidade aos fenómenos climáticos extremos e à limitada capacidade de adaptação. Neste contexto, torna-se essencial que cada país desenvolva políticas públicas e estratégias eficazes de adaptação e mitigação, de forma a reduzir os riscos climáticos e reforçar a resiliência das comunidades. Timor-Leste, enquanto país insular do Sudeste Asiático, já enfrenta impactos significativos das alterações climáticas e continuará exposto a riscos crescentes no futuro. Por isso, deve reforçar a necessidade de adotar medidas estratégicas baseadas em evidências científicas.

Neste contexto, este estudo, uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL), utilizou a metodologia PRISMA 2020 e as bases de dados Web of Science (WoS) e Scopus para analisar o estado do conhecimento científico sobre as alterações climáticas em TimorLeste. Os principais resultados (highlights) são os seguintes:

  • Aumento da temperatura média de 0,16 °C por década.
  • Subida do nível médio do mar de 5,5 mm/ano.
  • Perdas de produtividade agrícola até 40% durante eventos climáticos extremos.
  • Cerca de 70% da população depende de meios de subsistência sensíveis ao clima.
  • Cerca de 41,8% da população vive abaixo da linha de pobreza.
  • Escassez de dados e de projeções climáticas nacionais.
  • Número limitado de estudos sobre mitigação e adaptação às alterações climáticas.
  • Necessidade de desenvolver projeções climáticas de alta resolução (highresolution downscaling) e fortalecer os sistemas de monitorização climática. O estudo completo está disponível no seguinte link: https://www.mdpi.com/22251154/14/7/148

Recomendações  

  1. Reforçar a capacidade institucional, nomeadamente da Autoridade Nacional de Meteorologia e Geofísica (ANMG e de outras instituições nacionais relevantes para melhorar a monitorização climática, a gestão de dados e os serviços de informação climática.
  2. Desenvolver projeções climáticas nacionais de alta resolução (highresolution downscaling) e fortalecer os sistemas de monitorização climática para apoiar o planeamento e a tomada de decisão.
  3. Elaborar e implementar um Plano Estratégico Nacional de Adaptação e Mitigação às Alterações Climáticas, baseado em avaliações integradas do risco climático e em evidências científicas.
  4. Investir na investigação, educação e formação em alterações climáticas, promovendo a criação de cursos, centros de investigação e o reforço do ensino das ciências.
  5. Integrar o conhecimento científico com o conhecimento local para apoiar estratégias de adaptação mais eficazes e fortalecer a resiliência das comunidades e dos setores vulneráveis.

Autor

Julião da Costa Belo

PhD Student in Applied Physical Sciences

(Meteorology, Atmospheric Sciences and Climate Research)

University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD) Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal 

E-mail: al2024133386@alunos.utad.pt or juliaodacostabelo079@gmail.com

ORCID: https://orcid.org/0009000357146027

Telephone/WhatsApp: +351 917 368 879

Previous position: Physics Lecturer, Universidade Católica Timorense (UCT)

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