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Ramos Horta apela a líderes mundiais que salvem o planeta

Ramos Horta apela a líderes mundiais que salvem o planeta

Foto do Gabinete da Presidência da República de Timor-Leste, José Ramos Horta.

DÍLI, 23 de setembro de 2023 (TATOLI) – “O planeta Terra tem sido destruído ao longo dos séculos pelos seus piores predadores, os seres humanos. E é neste tempo de desafio existencial que nos apercebemos que nos faltam líderes globais inspiradores capazes de convocar líderes e cidadãos para salvar o planeta”, assim afirmou José Ramos Horta, na 77.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que decorreu em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

“Salvar o planeta” na ideia de Ramos Horta, é, em resumo, acabar com o nexo perigoso que resulta do círculo vicioso entre as alterações climáticas, a exploração incessante de combustíveis fósseis e os conflitos gerados pelas desigualdades que daqueles dois resultam. A solução seria uma aceleração da transição para fontes de energia limpas.

Para Ramos Horta, os líderes não estão a prestar atenção suficiente ao impacto que as alterações climáticas têm no agravamento dos conflitos e da violência, e, como tal, considera que o mundo “precisa de uma nova perspetiva sobre a relação entre o clima e a segurança, que aborde os impactos das alterações climáticas e da degradação ambiental na paz e na segurança”.

“Estamos a propor uma iniciativa arrojada neste domínio, que procura acelerar uma transição energética justa nos Estados em desenvolvimento que dependem fortemente da produção de petróleo e gás para evitar tumultos e agitação”, frisou.

E que iniciativa é esta? “Uma ação combinada que alivie financeiramente o peso das dívidas externas, a concessão de empréstimos a taxas de juro baixas e o aumento significativo da ajuda pública ao desenvolvimento. Se concretizada, esta ação permitiria que aqueles países pudessem iniciar projetos que incentivassem o desenvolvimento de indústrias limpas e resolvessem os problemas existentes, as perdas e os danos em curso relacionados com as alterações climáticas, facilitando assim os esforços de atenuação dos gases com efeito de estufa e de adaptação às alterações climáticas, especialmente nos países mais vulneráveis ou pequenos estados insulares em desenvolvimento.

Ramos Horta sublinhou que esta iniciativa prestaria uma atenção urgente aos desafios específicos enfrentados pelos Estados frágeis, que não só são propensos à fragilidade e à vulnerabilidade, mas também enfrentam riscos acrescidos quando se deparam com uma enorme turbulência económica, que pode reforçar a transição ecológica – se não for gerida cuidadosamente. “Cuidadosamente”, neste caso é criar condições acrescidas a quem está mais propício a vulnerabilidades económicas causadas pela dependência de combustíveis fósseis e respetiva instabilidade de preços e efeitos das alterações climáticas.

O presidente timorense acrescentou que o mundo está numa “transição urgente para uma economia de baixo carbono e energia limpa”. Nesta, a busca dos minerais mais raros propícios à produção de energia teria de ser feita num ambiente que não conduzisse a “mais instabilidade, nem promovesse lideranças  fracas, nem exacerbasse tensões locais, ou as queixas nos países onde se encontram reservas estratégicas de tais elementos e minerais”.

“Esta iniciativa tem por objetivo criar um futuro mais sustentável para o nosso planeta e para todos os seus habitantes. Ao facilitar a transição energética nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, nos países menos desenvolvidos e nas nações mais vulneráveis ao clima, pretendemos atenuar os impactos das alterações climáticas e preservar o nosso ambiente global partilhado para as gerações vindouras”, concluiu.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Maria Auxiliadora

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