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Dia Mundial da Bicicleta: ciclistas reivindicam a criação de ciclovias em Díli

Urbano Guterres da Costa, estudante da Faculdade da Educação, Artes e Humanidades da UNTL. Fotografia/David Cabral.

DÍLI, 03 de junho de 2023 (TATOLI) – A bicicleta é considerada um transporte acessível, limpo e adequado ao meio ambiente e que traz vários benefícios para a saúde. O Dia Mundial da Bicicleta, comemorado anualmente a 03 de junho, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa enfatizar a importância da “bicla” como alternativa para prevenir doenças e combater as mudanças climáticas.

Alguns timorenses usam bicicleta para ir à escola, trabalho e atividades físicas, porém, devido à ausência de espaços próprios para que se desloquem, pedem ao Governo para criar ciclovias na capital, Díli.

A ciclovia é uma faixa destacada numa rua cujo uso é exclusivo para bicicletas. Nela, carros e motocicletas, entre outros veículos, não têm autorização de circular. Em última instância, a existência de ciclovias, além de aumentar a segurança de ciclistas e fomentar o exercício físico, permite criar um trânsito mais fluído para outros veículos, diminuindo a incidência de acidentes aos utentes de bicicletas. Uma faixa especial para ciclistas permite que estes conduzam na sua própria velocidade, sem a pressão do restante tráfego.

Uma reclamação constante de quem usa a bicicleta como meio de transporte ou para a prática de

atividades físicas em Díli é a falta de ciclovias na cidade.

Patrício Belo contou o quão perigoso é cada viagem que faz de bicicleta, sobretudo quando conduz junto com outros veículos que se deslocam em grande velocidade.

“Quando me junto ao tráfego automóvel e vejo veículos motorizados atrás de mim, inevitavelmente tenho de reduzir a velocidade para eles me ultrapassarem. As bicicletas são mais lentas do que os carros e as motas. Os condutores ficam frustrados com a minha lentidão e sinto-me ameaçado pela proximidade dos carros que se deslocam em alta velocidade. Enquanto ciclista, sinto que isto é uma situação má para todos nós”, avalia.

Já Urbano Guterres da Costa, estudante da Faculdade da Educação, Artes e Humanidades (FEAH) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), disse que usa a bicicleta para ir para as aulas e para fazer exercício físico.

Na opinião do jovem, os ciclistas são obrigados a disputar os espaços dos passeios com os pedestres se quiserem evitar perigos. “Usar bicicleta na capital não é seguro e os ciclistas também sofrem com a falta de respeito dos motoristas”, observou. Contudo, ainda vê vantagens em utilizar a “bicla” diariamente. “Chego mais cedo à universidade e não gasto muito dinheiro”. Urbano reivindica: “como ciclista, sugiro ao Governo que crie ciclovias para que se facilite a mobilidade dos cidadãos e para se estabelecer segurança nas ruas”.

Avelino Soares é outro que usa a bicicleta na sua profissão (vendedor ambulante) e que afirma ter sido atropelado duas vezes em 2021, em Comoro e Audian. “Andar de bicicleta na capital não é seguro porque há muitos engarrafamentos, os motoristas conduzem com excesso de velocidade e não respeitam os ciclistas”, detalhou.

A Polícia de Trânsito do Comando do Município de Díli registou, entre 01 de janeiro a 28 de fevereiro de 2023, 157 vítimas de atropelamentos, algumas das quais ciclistas.

Todavia, pelo que se observa em Díli, também os ciclistas padecem de comportamentos que põem em perigo a sua segurança: não usam capacete, de noite não usam uma luz sinalizadora nem roupa refletora e, muitas vezes, circulam contra o sentido do trânsito. Embora haja um código de estrada em Timor-Leste, também os ciclistas não o respeitam.

A bicicleta e os benefícios para a saúde

A OMS já advogou o uso da bicicleta e do exercício físico à redução de doenças, como o cancro e diabetes, e na diminuição das poluições atmosférica e sonora, em geral. De acordo com um estudo publicado em 2021 pelo Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports,  adultos que andam de bicicleta com frequência possuem menor risco de sofrer doenças cardiovasculares.

Apesar de ser uma atividade que traz diversos benefícios para a saúde e meio ambiente, as autoridades de Timor-Leste seguem alheias à importância das bicicletas.

O Diretor Nacional de Transportes Terrestres (DNTT), António da Costa, foi questionado a respeito da eventualidade de se criar ciclovias no país. O inquirido não quis comentar o assunto e informou os jornalistas, via funcionários da DNTT, que não há plano nem orçamento para a construção de ciclovias.

Equipa da TATOLI

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