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Sobrelotação de salas prejudica estudantes e professores

Sobrelotação de salas prejudica estudantes e professores

Sobrelotação de salas prejudica estudantes e professores.

DÍLI, 24 de fevereiro de 2023 (TATOLI) – Salas sobrelotadas, falta de professores, falta de materiais didáticos, falta de organização, falta de tudo. E barulho, muito barulho. Fatores que nos fazem duvidar se o ambiente em que estamos se trata mesmo de uma escola, bem como da qualidade do que é ensinado.

Situada em Díli, a Escola Secundária-Geral 4 de Setembro, que é pública, abriga quatro mil alunos. O número mínimo de jovens por sala é de 50. Numa tarde, por volta das 15h, um professor leciona a disciplina de religião e moral, enquanto a maioria dos estudantes conversa, alheios ao conteúdo. Noutra sala, sem professor, alguns alunos dormem e outros gritam e cantam. Em cima das carteiras, em ambas as turmas, só pequenos cadernos e canetas. Nada de manuais escolares.

Os ambientes, pouco saudáveis para o processo de ensino-aprendizagem, refletem com clareza o funcionamento do sistema de educação de Timor-Leste.

Notícia relacionada: Falta de materiais didáticos adequados na UNTL dificulta a aprendizagem de estudantes

Segundo dados do Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD), em 2021, 86% dos 140.442 estudantes frequentavam escolas públicas com condições precárias. Em grande parte destas unidades não há sequer água potável ou uma merenda nutritiva.

Neste cenário, as escolas privadas e católicas, onde estudam os filhos dos ema boot, são as que apresentam melhores condições e oferecem um ensino de qualidade superior.

“Muitas vezes não ouço ou não entendo o que o professor explicou”

Uma aluna do 10º ano da Escola 04 de Setembro de Díli, Dírlia do Carmo, contou que não se consegue concentrar nas explicações dos professores devido ao barulho provocado por uma turma numerosa.

“Na minha sala há entre 50 e 55 estudantes. Preferia uma turma com 35 alunos no máximo para que me pudesse concentrar nas matérias que os professores ensinam. Muitas vezes não ouço ou não entendo o que o professor explicou”, lamentou.

O diretor da Escola 04 de setembro, Sérgio de Jesus, informou que, segundo as orientações do MEJD, cada turma no ensino secundário deveria ter, no máximo, 35 alunos, mas a escola não as cumpre. “Muitas famílias querem matricular os filhos nesta escola e, por isso, temos de os acolher. Peço ao Governo para criar mais salas de aula para resolver  este problema”, reivindicou.

Na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), o número de estudantes do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais e Política é de 162, divididos por duas turmas: cada uma com 81 alunos. As salas e o tamanho dos espaços não são adequados para acomodar tanta gente. Reclamações não faltam.

“A universidade precisa de fazer uma boa gestão para não acumular mais estudantes. Assim, não está a funcionar. Algo precisa de ser feito”, enfatizou Cristina Ramos, uma das estudantes do curso de Comunicação Social da UNTL.

Em algumas turmas da universidade, o número de alunos por sala chega a ser mais de 100. Nestes casos, os estudantes precisam de chegar mais cedo para conseguir alguma cadeira e carteira para se acomodar, pois não há para todos. Os que não conseguem, têm de assistir às aulas em pé.

Entre 2017 e 2019, cada turma da UNTL já tinha, em média, mais de 50 alunos por sala. Este ano letivo, a UNTL pretende acomodar 4.150 universitários – mais 50 do que no ano passado.

Na realidade, quer no ensino secundário, quer no superior, em Timor-Leste há muita dificuldade, por parte das escolas e universidades, em cumprir a exigência de uma turma com um número adequado de estudantes – situação que prejudica o processo do ensino-aprendizagem.

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Equipa da TATOLI

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