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Dia Mundial da Luta Contra a Sida: jovens pedem apoio no combate à doença

Leonardo Nicolau Ximenes, estudante da UNTL. Fotografia/David Cabral.

DÍLI, 01 de dezembro de 2022 (TATOLI) – O Dia Mundial da Luta Contra a Sida assinala-se hoje, 01 de dezembro, com o objetivo de sensibilizar e apoiar os doentes que sofrem do VIH/SIDA, além de homenagear os que faleceram pela doença.

James Bunn e Thomas Netter, dois oficiais do Programa Mundial da Luta contra a Sida da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram os autores da criação deste dia, reconhecida pela Resolução n.º 43/15 da Assembleia Geral da ONU, em 1988.

Para assinalar o Dia Mundial da Luta Contra a Sida, a Tatoli procurou recolher a opinião de jovens, sobretudo relativamente a práticas de prevenção da doença.

Carlos Martins jovem de Ermera. Fotografia/David Cabral.

Carlos Martins, um jovem desempregado de Ermera, sugere às autoridades competentes que façam mais ações de sensibilização sobre a prevenção da patologia junto da comunidade.

“A SIDA é uma fase em que uma pessoa sofre de deficiência no seu sistema imunitário causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana ou VIH. A SIDA pode causar muitas consequências, uma delas é a aceleração do envelhecimento das artérias, o que pode resultar em acidentes vasculares cerebrais (AVC). Por isso, é preciso prevenir a doença com antecedência”, explicou.

A estudante da Faculdade de Medicina e Ciências de Saúde da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Joaninha da Silva, corrobora a opinião de Carlos, defendendo o reforço na divulgação de informação acerca desta doença transmissível, principalmente no que diz respeito à educação sexual, evitando, assim, a cadeia de transmissão.

Estudante da UNTL, Joaninha da Silva. Imagem/David Cabral.

“Precisamos de informar os jovens timorenses sobre o VIH/SIDA e o seu estado de saúde. Além disso, é necessário encorajá-los a não terem medo de fazer testes do VIH. Para mim, seria melhor iniciar um rastreio mensal desta doença junto dos cidadãos, com destaque para os que trabalham na fronteira. A educação sexual e a saúde reprodutiva devem também estar na lista das prioridades. Parem, por favor, com os preconceitos aos portadores do vírus”, pede ainda.

A estudante defende também a importância de incentivar os seropositivos a “serem fortes mentalmente” para lutarem contra a doença.

Rita da Costa Ximenes, estudante da UNTL. Fotografia/David Cabral.

Também a jovem Rita da Costa Ximenes destacou a relevância das medidas de precaução da patologia em Timor-Leste.

“A prevenção do VIH/SIDA é muito importante para podermos diminuir a sua transmissão. Recomendo, por isso, o uso do preservativo e que tenham cuidado com as seringas usadas para as tatuagens”, alerta.

O estudante da UNTL, Leonardo Nicolau Ximenes, disse, por sua vez, que o Governo tem de cooperar com as entidades relevantes no combate às doenças sexualmente transmissíveis.

Leonardo Nicolau Ximenes, estudante da UNTL. Fotografia/David Cabral.

“O Governo precisa de trabalhar com as Organizações Não-Governamentais que se dedicam à luta contra o VIH/SIDA. Deve igualmente impor regras rigorosas para monitorizar as pessoas infetadas na realização dos testes periódicos”, recomenda.

Carlos Martins, Joaninha da Silva, Rita da Costa Ximenes e Leonardo Ximenes são gerações futuras que mostram as suas preocupações relativamente ao VIH/SIDA em Timor-Leste e pedem a contribuição de todos os cidadãos para lutarem contra a doença.

A principal mensagem que estes jovens quiseram deixar é que é necessário o apoio de todos no combate à doença, à discriminação e ao estigma contra os seropositivos.

Qualquer pessoa pode ser vítima do VIH-SIDA, uma vez que a doença se transmite pelo sangue e por contacto sexual. O vírus atua invadindo as células do sangue responsáveis pela defesa do organismo.

O desenvolvimento de infeções e tumores, no estado avançado da imunodeficiência, tais como outras doenças, é também designado de SIDA.

O VIH pode levar anos até causar danos graves no sistema imunitário e evoluir para a fase da SIDA. A terapêutica antirretroviral pode travar ou mesmo fazer regredir a progressão da infeção para SIDA.

Atualmente não existe nenhum medicamento que cure a doença de forma efetiva. O tratamento não cura, mas ajuda as pessoas com o VIH a viverem com mais qualidade de vida, reduzindo também o risco de transmissão.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Combate ao VIH/SIDA (INCSIDA), registam-se atualmente 1.582 timorenses portadores da doença, 800 estão sob tratamento e mais de 300 desistiram de receber assistência médica.

Os dados do instituto revelam ainda que, entre 2003 e setembro de 2022, mais de 50 crianças foram infetadas pelo vírus, contraído durante a gravidez, o parto ou o período de amamentação.

O INCSIDA tem como objetivo sensibilizar as pessoas sobre a prevenção e o tratamento do VIH/SIDA.

Notícia relevante: Quatro óbitos e 250 novos casos de VIH/SIDA em nove meses

Equipa da Tatoli

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