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António Guterres alerta para atraso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

António Guterres alerta para atraso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 15 de julho de 2026 (TATOLI) – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou que o mundo atravessa “a fase mais difícil” da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O alerta foi feito pelo dirigente na sua intervenção no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, que decorre de 7 a 15 de julho, em Nova Iorque, onde defendeu uma aceleração urgente da ação internacional para recuperar o atraso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

António Guterres reconheceu que, desde a adoção da Agenda 2030, há pouco mais de uma década, foram alcançados progressos significativos em áreas como a redução da mortalidade infantil e materna, o alargamento do acesso à proteção social, à água potável, ao saneamento, à eletricidade e à internet, bem como na expansão das energias renováveis e na redução de práticas nocivas, como o casamento infantil.

O responsável destacou ainda o papel das Revisões Nacionais Voluntárias, sublinhando que já foram apresentadas 401 avaliações pelos Estados-Membros, às quais se juntam mais 36 nesta sessão, demonstrando que “onde existe vontade política, encontram-se soluções e é possível alcançar progressos”.

Contudo, António Guterres advertiu que os avanços registados têm sido travados por uma sucessão de crises globais, incluindo conflitos armados, o agravamento das desigualdades, as alterações climáticas e o aumento da pressão financeira sobre os países em desenvolvimento.

“O mundo acaba de atravessar os onze anos mais quentes de que há registo e aproxima-se rapidamente de ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 graus Celsius”, afirmou, acrescentando que muitos países enfrentam uma “verdadeira tempestade financeira”, marcada pelo peso da dívida, pela escassez de investimento e pelo aumento dos custos de financiamento.

O Secretário-Geral referiu igualmente que o conflito no Médio Oriente, para além das consequências humanitárias, provocou uma subida dos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e dos alimentos, perturbando o comércio, os transportes e o turismo a nível mundial. Neste contexto, apelou ao restabelecimento e respeito dos cessar-fogos em Gaza, no Líbano e na região do Golfo, bem como ao cumprimento do direito internacional, incluindo a liberdade de navegação.

Segundo António Guterres, apenas 36% das metas dos ODS passíveis de avaliação estão atualmente no bom caminho ou registam progressos moderados, enquanto 15% sofreram retrocessos, o que exige uma mobilização internacional mais ambiciosa.

Entre as prioridades identificadas estão o reforço do investimento na educação, na saúde universal, na proteção social, na segurança energética e na criação de emprego digno, bem como a promoção da igualdade de género, da inovação tecnológica e da proteção dos direitos humanos.

Relativamente ao ODS 6, dedicado à água potável e ao saneamento, o responsável reconheceu os avanços alcançados nos últimos anos, mas advertiu que cerca de 2,2 mil milhões de pessoas continuam sem acesso a água potável gerida de forma segura e 3,5 mil milhões permanecem sem serviços de saneamento adequados.

Alertou ainda para a crescente pressão sobre os recursos hídricos, agravada pelo consumo excessivo, pela poluição e pelas alterações climáticas, defendendo uma maior cooperação entre Governos, setor privado e comunidades para reforçar o financiamento, as infraestruturas e a governação da água.

No domínio da energia, o Secretário-Geral afirmou que as energias renováveis representam atualmente a alternativa mais económica e rápida aos combustíveis fósseis. No entanto, lamentou que a maior parte do investimento continue concentrada nas economias desenvolvidas e na China, enquanto África recebe apenas 2% do investimento mundial em energias limpas, apesar de possuir cerca de 60% do melhor potencial solar do planeta.

António Guterres defendeu igualmente a redução dos custos de financiamento para os países em desenvolvimento e uma gestão sustentável dos minerais críticos necessários à transição energética, assegurando simultaneamente apoio às comunidades dependentes da indústria dos combustíveis fósseis.

Na área da inovação, destacou o potencial da Inteligência Artificial (IA) para impulsionar o desenvolvimento económico e melhorar os serviços públicos, desde que seja utilizada de forma responsável e inclusiva. Recordou a proposta apresentada pela ONU para a criação de um Fundo Global de três mil milhões de dólares americanos destinado a garantir que a IA beneficie todos os países, em particular os em desenvolvimento.

Referiu ainda o primeiro Diálogo Global sobre IA, realizado este mês em Genebra, e a proposta apresentada em Londres para a criação de uma Iniciativa para a Transparência Ambiental da IA, destinada a promover a divulgação do impacto ambiental dos sistemas de IA e a utilização exclusiva de energias renováveis nos centros de dados até 2030.

No que respeita às cidades sustentáveis, António Guterres apelou ao reforço do investimento em habitação acessível, infraestruturas resilientes e serviços urbanos, defendendo uma participação ativa das comunidades, especialmente dos grupos mais vulneráveis, no planeamento urbano.

O Secretário-Geral concluiu sublinhando que a concretização da Agenda 2030 depende de uma parceria global mais forte, envolvendo governos, setor privado, bancos de desenvolvimento, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e jovens, bem como do reforço da cooperação entre os países do Sul Global, sem descurar a cooperação Norte-Sul.

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Equipa da Tatoli

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