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INTERNACIONAL, EDUCAÇÃO

Milhões de crianças recorrem à IA para estudar, avisa a UNICEF

Milhões de crianças recorrem à IA para estudar, avisa a UNICEF

As crianças. Imagem/Doc. TATOLI

 

DÍLI, 1 de julho de 2026 (TATOLI) – Milhões de crianças em todo o mundo já utilizam ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para estudar, resolver problemas e até procurar aconselhamento sobre preocupações pessoais. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que considera que a rápida adoção desta tecnologia está a ultrapassar a capacidade de implementação de medidas de proteção adequadas.

De acordo com novos dados recolhidos em dez países, a UNICEF estima que pelo menos 20 milhões de crianças já recorreram à IA. O fundo sublinha ainda que os jovens adotam esta tecnologia a um ritmo mais de três vezes superior ao dos adultos.

Entre os dados mais significativos, destaca-se o facto de cerca de dois milhões de crianças — aproximadamente uma em cada dez — afirmarem utilizar a IA para obter conselhos sobre questões que as preocupam. Além disso, cerca de 13 milhões recorrem a estas ferramentas para a realização de trabalhos escolares e dos trabalhos de casa.

A UNICEF reconhece que a IA representa uma oportunidade para reforçar a aprendizagem e estimular a criatividade. No entanto, alerta que o conhecimento sobre os seus efeitos no desenvolvimento infantil, no bem-estar emocional e na exposição a riscos continua a ser limitado.

“Na prática, uma geração está a crescer no meio de uma experiência global”, refere a agência das Nações Unidas, sublinhando a necessidade de se compreender melhor o impacto desta tecnologia nas crianças.

O estudo revela também que os mais jovens demonstram uma crescente consciência dos riscos associados à IA. Cerca de um terço dos inquiridos manifesta preocupação com a utilização da IA para enganar pessoas ou disseminar desinformação. Já um quarto receia que imagens ou vídeos seus possam ser manipulados para criar conteúdos sexualmente explícitos através da tecnologia de deepfakes.

O fundo alerta ainda para o facto de as crianças serem frequentemente as primeiras a sofrer as consequências de sistemas de IA insuficientemente regulados, apesar de terem pouca ou nenhuma influência sobre a forma como estas tecnologias são desenvolvidas ou sobre a utilização dos seus dados pessoais.

À medida que se aproxima o primeiro Diálogo Global sobre a Governação da IA, a UNICEF apela aos Governos e às empresas tecnológicas para colocarem os direitos das crianças no centro das futuras políticas de regulamentação.

Entre as principais recomendações estão o reforço da proteção contra a exploração sexual facilitada pela IA, o investimento na investigação sobre os seus impactos no desenvolvimento infantil, a criação de sistemas mais seguros e transparentes, a promoção da literacia digital junto de crianças e famílias e a expansão do acesso às tecnologias digitais, de forma a evitar o agravamento das desigualdades.

“A forma como a Inteligência Artificial é regulada hoje irá determinar a segurança, a privacidade, o bem-estar das crianças e a igualdade de acesso às oportunidades nas próximas décadas”, conclui a UNICEF.

Equipa da Tatoli

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