DÍLI, 14 de julho de 2026 (TATOLI) – Está a decorrer até ao dia 20 de julho uma exposição dedicada às Casas Sagradas timorenses (Uma Lulik), provenientes de Viqueque, Bobonaro, Covalima e Oé-Cusse.
A iniciativa é promovida pela Organização Não-Governamental Timor Aid, em parceria com a Blue Milk, uma produtora de conteúdos audiovisuais e agência criativa timorense especializada em documentários culturais e institucionais. Entre os dias 14 e 15 de julho, a exposição estará patente no Palácio Presidencial, em Díli, e, entre os dias 16 e 20, decorrerá nas instalações da Timor Aid.
O evento foi realizado no âmbito do Projeto de Preservação Cultural das Uma Lulik, financiado pela Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Timor-Leste, no valor de 235 mil dólares americanos, e que teve uma duração de dois anos.
A Diretora-Executiva da Timor Aid, Maria do Céu Lopes, afirmou que as Casas Sagradas constituem um dos símbolos mais importantes do património cultural de Timor-Leste, referindo que estas, também conhecidas como “Uma Lisan” e “Knua”, representam os antepassados das comunidades ou de cada grupo que possui a sua própria língua e tradição cultural.
Segundo Maria do Céu Lopes, cada Casa Sagrada está relacionada com outros elementos naturais sagrados, como pedras, árvores e fontes de água, onde os timorenses realizam rituais e pedem aos antepassados a bênção “matak malirin”, uma expressão simbólica associada à paz, prosperidade e bem-estar.
As Casas Sagradas servem também como locais de preservação de objetos sagrados dos antepassados, incluindo tais, espadas rituais, máscaras, estátuas dos antepassados, belak (medalhões que representam o sol e a força) e kaibauk (ornamentos de cabeça em forma de chifre de búfalo), utilizados durante rituais como o sau batar (colheita do milho) e o sau hare (colheita do arroz).
“O objetivo desta exposição é documentar e preservar a cultura de Timor-Leste. O nosso foco está nas Uma Lulik, onde documentámos cerimónias como a construção, reconstrução e manutenção das Uma Lulik, as fontes sagradas, o sau batar, entre outras práticas. Queremos registar tudo para criar uma memória do património cultural, porque cada Uma Lulik tem a sua própria história, língua e vestuário”, afirmou Maria do Céu Lopes à Tatoli.
A responsável explicou que a documentação foi realizada durante dois anos, abrangendo comunidades como Bahadanak e Aitana em Viqueque, bem como Uma Dato Babulu e Uma Lisan, associadas a Matai em Covalima, que falam a língua materna tétum terik, comunidades de Marobo em Bobonaro, onde é falada a língua kemak, e Na Bobo, em Oé-Cusse, onde é falado o baikenu/dawan.
Maria do Céu Lopes acrescentou que os resultados deste projeto foram armazenados numa base de dados e serão futuramente apresentados no Museu Tais de Timor-Leste, permitindo facilitar o acesso de todos os interessados em conhecer e valorizar o património cultural do país.
Por sua vez, o Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA em Timor-Leste, Bruce Begnell, afirmou que, como membro pleno da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Timor-Leste está atualmente a reforçar o seu envolvimento com a região de uma forma nova e dinâmica.
“A preservação do património garante que o progresso avance com identidade e confiança. A vossa dedicação demonstra como a preservação cultural pode servir de ponte entre a sabedoria do passado e as oportunidades do futuro”, afirmou.
Bruce Begnell explicou que a documentação inclui elementos materiais, como estruturas, objetos sagrados e a ligação destes às características naturais, incluindo água, pedras e montanhas sagradas, bem como elementos imateriais, como rituais de sau batar, cerimónias de invocação dos espíritos dos antepassados e práticas tradicionais de restauração que refletem os conhecimentos e crenças transmitidos de geração em geração.
“Os Estados Unidos da América sentem-se honrados por poderem estabelecer esta parceria com a Timor Aid para preservar a identidade cultural de Timor-Leste para as futuras gerações”, acrescentou.
Na mesma linha, o Ministro da Juventude, Desporto, Arte e Cultura, Nelyo Isaac Sarmento, afirmou que a documentação do património cultural de Timor-Leste é muito importante, tendo em conta as recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura sobre a necessidade de todos os países salvaguardarem o seu património cultural.
“Esta atividade faz parte do processo de inventariação dos nossos recursos culturais, para que possam constituir uma verdadeira identidade timorense e diferenciar-nos de outros países. A ilha de Timor está dividida em dois países: Timor-Leste e Timor Ocidental, que pertence à Indonésia. Por isso, devemos valorizar os nossos recursos culturais para demonstrar a nossa diferença e garantir a preservação da nossa identidade”, afirmou.
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Equipa da Tatoli




