DÍLI, 7 de julho de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, destacou hoje o legado do Padre João Felgueiras, considerando-o um “herói da fé, da educação e da caridade”.
A declaração foi feita durante a missa de exéquias realizada na Igreja Catedral de Díli, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Díli, Cardeal Dom Virgílio do Carmo da Silva, que reuniu representantes da Igreja Católica, do Estado, familiares e fiéis para prestar homenagem ao sacerdote falecido aos 105 anos.

Ramos-Horta afirmou que a cerimónia representa não apenas um funeral, mas um ato de homenagem profunda e de memória nacional a um homem que escolheu Timor-Leste como sua própria casa e o povo timorense como sua própria família.
“O Padre João de Vasconcelos Batista Felgueiras partiu aos 105 anos, deixando-nos uma vida longa, serena e inteiramente entregue ao serviço dos outros, em especial dos mais carentes, vulneráveis e desfavorecidos da nossa sociedade”, disse o Chefe de Estado.
O PR salientou que, apesar da sua partida física, o sacerdote português continuará presente na história de Timor-Leste e na consciência moral da nação, recordando a relação próxima que manteve com o missionário ao longo dos anos.
“Visitava frequentemente o saudoso Padre João Felgueiras, antes e depois de completar um século de vida, encontrando sempre um homem de extraordinária lucidez, humildade e alegria interior”, afirmou.

Ramos-Horta recordou ainda as homenagens prestadas ao sacerdote, incluindo em outubro de 2025, em Portugal, quando reconheceu publicamente o seu legado como “um verdadeiro profeta da educação e da solidariedade”, bem como em maio de 2026, durante as celebrações da Restauração da Independência, quando o classificou como “um herói da fé, da educação e da caridade”.
O Chefe de Estado destacou ainda a decisão do Padre João Felgueiras de permanecer em Timor-Leste quando a Indonésia invadiu o território em 1975.
“Permaneceu quando muitos partiram, permaneceu quando era mais difícil permanecer. Quando a língua portuguesa era proibida e quando a identidade cultural do nosso povo era perseguida, escolheu a luz da educação, a coragem silenciosa de ensinar e a dignidade de permanecer ao lado dos que não tinham voz”, disse.
Segundo Ramos-Horta, a missão do Padre João Felgueiras está profundamente ligada à formação de várias gerações de timorenses, através da Escola Amigos de Jesus.
O PR lembrou também que o sacerdote foi reconhecido nacional e internacionalmente através de diversas distinções, incluindo a Ordem de Timor-Leste e a Ordem de Camões, mas afirmou que o maior legado deixado pelo missionário são “vidas transformadas, jovens educados, uma língua preservada e uma memória viva de resistência pacífica e dignidade humana”.
“Para mim, ele foi um grande e querido amigo, um homem sereno, discreto, mas profundamente presente. Um conselheiro que escutava mais do que falava”, declarou.

No final do discurso, Ramos-Horta apresentou, em nome do Estado timorense, condolências à Companhia de Jesus, à família do Padre João Felgueiras em Portugal e às comunidades educativas que acompanharam a sua missão.
Por sua vez, o Bispo da Diocese de Baucau, Dom Leandro Maria Alves, afirmou que o jesuíta português foi, durante a sua vida, um grande defensor da educação e sublinhou que este setor é fundamental para o desenvolvimento do país.
Na mesma linha o Cardeal Dom Virgílio do Carmo da Silva considera que o melhor tributo que os timorenses podem prestar a João Felgueiras é continuar a fazer viver o seu espírito, preservando o seu legado espiritual.
Notícia relevante: Padre João Felgueiras distinguido a título póstumo com Ordem de Laran Luak
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




