DÍLI, 19 de março de 2021 (TATOLI) – O Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) decidiu continuar a dar assistência a 95 doentes com insuficiência renal, embora todos os profissionais de saúde da Unidade de Hemodiálise se encontrem em confinamento obrigatório após teste positivo à covid-19 de quatros médicos desta unidade.
O Vice-Ministro da Saúde, Bonifácio Maukoli dos Reis, disse que as exigências médicas obrigam os outros profissionais de saúde – contactos próximos dos infetados – a manterem o trabalho.
Por falta de profissionais, o HNGV vê-se forçado a atender estes pacientes, apesar de, segundo relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS), os doentes renais crónicos estarem entre os grupos mais vulneráveis da covid-19.
Segundo o governante, os doentes esperam desde ontem no hospital para fazer hemodiálise, porque alguns dos profissionais de saúde estão infetados com covid-19 e encontram-se em isolamento. Os restantes, por serem contactos próximos, cumprem o confinamento e realizaram já o primeiro teste, com resultado negativo.
“A incubação pode ocorrer até 14 dias, mas com as exigências [dos pacientes] temos de continuar o atendimento. Então, trazemos até ao hospital os profissionais de saúde, que prestam a devida assistência por turnos”, disse o ministro, no HNGV, em Díli.
Ainda a aguardarem o resultado do seu segundo teste, os médicos na unidade em causa contam apenas com os equipamentos de proteção individual para protegerem os doentes.
O vice-ministro deu também orientações ao HNGV para estudar a possibilidade de transferência dos doentes para tratamento no estrangeiro – Indonésia, Malásia ou Singapura.
“São 95 doentes com insuficiência renal e temos apenas 11 máquinas. Alguns precisam de mais de três horas para a hemodiálise. Por isso, estamos a procurar outra opção”, afirmou.
O governante deu orientações ao diretor do HNGV para preparar uma junta médica e “caso haja possibilidade, transferir os doentes para a Indonésia e de modo a efetuarem aí o tratamento”.
O MS coordenar-se-á com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) para contactar o país vizinho e discutir esta hipótese.
Por falta de recursos humanos na atual situação, o governante afirmou que o MS pretende capacitar mais timorenses. “Normalmente, os médicos são suficientes, mas, porque agora alguns estão infetados e todos devem permanecer em confinamento, o trabalho está paralisado”.
Já o Diretor da Administração, Finanças e Logística do HNGV, Duarte de Araújo, disse que a Unidade de Hemodiálise conta com mais de 20 médicos.
Duarte de Araújo referiu ainda que, de acordo com o Procedimento Operacional Padrão (SOP, em inglês) da OMS, quando o resultado é negativo no primeiro teste, se efetua um segundo. Se o resultado for o mesmo, os testados podem então sair do confinamento obrigatório.
“A situação obriga-nos a atender os doentes e alguns deles fazem hemodiálise três ou quatro vezes por semana. Torna-se perigoso parar os tratamentos. Assim, chamamos os nossos médicos [em quarentena] para prestar o apoio necessário”, confirmou.
O HNGV começou hoje às 14 horas a hemodiálise dos pacientes. A unidade está a funcionar 24 horas por dia, dividindo a equipa de médicos por turnos.
“Caso o segundo teste de algum destes profissionais tenha resultado positivo, precisamos de procurar uma alternativa, que poderá passar pela transferência dos doentes para o estrangeiro. Quando a situação normalizar, os pacientes regressarão. Este é, no entanto, o nosso último recurso”, adiantou.
O HNGV tem atualmente 11 máquinas de hemodiálise e a aquisição de mais duas está já incluída no processo de aprovisionamento do SAMES.
“Anualmente, o número de doentes tem aumentado. Temos, então, de adquirir mais máquinas. Planeámos no ano passado realizar uma formação para o nosso pessoal de saúde na Indonésia, mas, devido à pandemia, cancelámos. O conselho do HNGV planeia também recrutar mais pessoal para Unidade de Hemodiálise”, avançou.
Recorde-se que, depois de um profissional de saúde desta unidade ter testado positivo, a assistência a doentes renais no HNGV parou durante 24 horas, o que causou grandes preocupações aos pacientes e família.
Timor-Leste regista, desde o surgimento do novo coronavírus, 252 infeções e 114 doentes recuperados. Atualmente, tem 138 infeções ativas.
Jornalista: Maria Auxiliadora
Editor: Zezito Silva




