ONU alerta para impactos da discriminação na saúde mental de pessoas com albinismo

DÍLI, 30 de outubro de 2026 (TATOLI) — A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos humanos das pessoas com albinismo, Muluka-Anne Miti-Drummond, alertou para a discriminação e a exclusão social enfrentadas por este grupo, sublinhando os impactos negativos na saúde mental e no bem-estar das pessoas afetadas.
Num relatório apresentado à Assembleia Geral da ONU, a responsável destaca que a discriminação baseada na cor da pele continua a limitar o acesso das pessoas com albinismo a direitos fundamentais, nomeadamente à saúde, à educação, ao emprego e à participação na vida pública.
Discriminação com consequências psicológicas
Segundo Miti-Drummond, a discriminação faz parte do quotidiano de muitas pessoas com albinismo e manifesta-se através de preconceitos, microagressões e outras formas de exclusão, contribuindo para a estigmatização e o isolamento social.
Entre as principais consequências identificadas no relatório encontram-se a ansiedade, a depressão, a baixa autoestima, a interiorização de estereótipos negativos e o afastamento voluntário da sociedade. O documento alerta ainda para casos de ideação suicida e traumas psicológicos associados ao preconceito.
A dirigente sublinha que estas consequências, embora nem sempre visíveis, podem comprometer significativamente a qualidade de vida das pessoas com albinismo e dificultar a sua integração na sociedade.
Mitos e falta de proteção agravam a situação
O relatório chama também a atenção para contextos em que a discriminação assume formas extremas, incluindo agressões físicas e mutilações. Nestas situações, os familiares das vítimas são igualmente afetados, vivendo sob a constante preocupação com a segurança e o bem-estar dos seus entes queridos.
De acordo com a relatora, a persistência destes abusos está relacionada com mitos culturais, preconceitos históricos, a disseminação de estereótipos negativos pelos meios de comunicação social e a aplicação insuficiente das leis e políticas de proteção existentes.
Para combater este fenómeno, Miti-Drummond defende um compromisso alargado de toda a sociedade, com particular atenção à educação e à sensibilização pública.
Entre as medidas propostas estão a realização de campanhas nas escolas e nos meios de comunicação social, com o objetivo de desconstruir mitos, combater crenças discriminatórias e promover o respeito pelos direitos das pessoas com albinismo.
Relatora pede reformas estruturais
A responsável apelou ainda aos Governos para promoverem reformas estruturais e reverem as políticas públicas, de modo a combater não apenas as agressões físicas e a discriminação social, mas também as causas culturais e institucionais que perpetuam estas práticas.
O relatório destaca, assim, a importância de uma resposta abrangente, que combine proteção legal, sensibilização da população e promoção da saúde mental, garantindo que as pessoas com albinismo possam viver com dignidade, segurança e igualdade de oportunidades.
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Equipa da Tatoli

