Ramos-Horta defende exploração de gás para financiar transição energética

DÍLI, 20 de outubro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, defendeu uma abordagem pragmática à estratégia energética de Timor-Leste, sustentando que o desenvolvimento dos recursos de gás natural no mar, incluindo o projeto Greater Sunrise, permanece essencial para garantir a sustentabilidade económica do país.
O Chefe de Estado interveio num painel de alto nível sobre “Segurança e Independência Energética”, ao lado do antigo Presidente de Kiribati Anote Tong e da Diretora do Fundo Verde para o Clima, Marie-Ange Saraka-Yao, durante a Cimeira Global Citizen NOW: Perth 2026, realizada na segunda-feira, na Austrália.
Conforme fonte presidencial, Ramos-Horta revelou que Timor-Leste deverá concluir em breve um novo acordo com a Woodside Energy e com o Governo australiano, sublinhando que as receitas dos combustíveis fósseis continuam a ser determinantes para financiar a futura transição energética do país para fontes renováveis.
Perante o aparente paradoxo entre o apoio ao Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis e a intenção de prosseguir o desenvolvimento de recursos de gás natural, o Presidente salientou que, apesar de Timor-Leste ter alcançado uma taxa de eletrificação de 100%, o país enfrenta custos muito elevados com o gasóleo, o que compromete a competitividade económica face às grandes potências industriais.
O Chefe de Estado destacou, contudo, os progressos na adoção de energias renováveis, nomeadamente um projeto de energia solar, avaliado em 100 milhões de dólares americanos, que envolve a Électricité de France e parceiros japoneses, e que deverá fornecer eletricidade a 100 mil famílias.
Numa crítica ao sistema de financiamento multilateral, Ramos-Horta alertou que os países em desenvolvimento não podem abandonar os combustíveis fósseis enquanto o financiamento climático internacional continuar condicionado por entraves burocráticos e promessas por cumprir.
O Presidente sublinhou ainda que a Ajuda Pública ao Desenvolvimento e os orçamentos destinados à assistência humanitária sofreram cortes significativos, devido ao redirecionamento de fundos por parte dos doadores tradicionais da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico para a guerra na Ucrânia e para o apoio aos refugiados na Europa.
Segundo Ramos-Horta, o acesso financiamento climático pode demorar até quatro anos, o que compromete a capacidade de resposta dos países mais vulneráveis.
“Mesmo que tivéssemos um líder superfanático que declarasse, de um dia para o outro, uma mudança para as energias renováveis, quando a ajuda internacional chegasse, o nosso povo estaria a morrer à fome”, concluiu.
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Equipa da Tatoli

