INTERPOL reforça capacidade de Timor-Leste na investigação de armas ilícitas

DÍLI, 28 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL), em cooperação com a Polícia Científica e de Investigação Criminal (PCIC), iniciou hoje, em Díli, uma formação especializada sobre investigação de armas de fogo ilícitas e proibidas, destinada a reforçar as capacidades dos investigadores e das autoridades de segurança timorenses.
A formação decorre até ao dia 30, no Hotel Palm Spring, e reúne 27 participantes provenientes da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), da PCIC e das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e de outras entidades ligadas à investigação, prevenção e controlo fronteiriço. A iniciativa integra o Projeto Stonefish, enquadrado no programa da INTERPOL sobre armas de fogo, e é conduzida por especialistas do Secretariado-geral da organização, com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos da América.
O Diretor Nacional da PCIC, Vicente e Brito, destacou a importância da capacitação para reforçar os conhecimentos e as competências das autoridades timorenses na investigação de crimes relacionados com armas proibidas.

“O objetivo principal desta formação é a investigação de armas proibidas. Timor-Leste criminaliza as armas proibidas através do Código Penal. Por isso, considero esta uma formação profissional, ligada ao trabalho diário da PNTL, da PCIC, das F-FDTL e dos nossos agentes nacionais que trabalham nas fronteiras”, afirmou.
Segundo Vicente e Brito, a formação pretende reforçar a capacidade de prevenção, deteção e investigação de crimes relacionados com armas ilícitas, incluindo os eventuais crimes conexos, bem como preparar os investigadores para lidar com situações que possam assumir uma dimensão organizada e transnacional.
O responsável recordou que, desde o início do funcionamento da PCIC, não foram registados casos significativos de entrada de armas ilícitas no território, mas alertou para a necessidade de se manter um elevado nível de prontidão.
“Como membro da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático], o país tem de estar preparado para situações como esta e manter um estado de prontidão para conduzir investigações eficazes”, referiu.

Por sua vez, Line Haidar, oficial especializada e perita em armas de fogo do Secretariado-geral da INTERPOL, explicou que a formação pretende promover uma abordagem de investigação que permita identificar não apenas as armas apreendidas, mas também a sua origem e percurso.
“Esta formação tem como objetivo mudar a investigação, para que toda a arma de fogo apreendida seja considerada como parte de um esquema mais amplo e possa ser conectada à sua origem, permitindo identificar a fonte do desvio da arma”, afirmou.
A perita destacou ainda que a capacitação visa reforçar a integração de Timor-Leste nos mecanismos de cooperação regional e internacional para prevenir e combater o tráfico de armas ilícitas, lembrando que uma arma apreendida no país pode ter sido fabricada ou ter circulado por vários Estados antes de chegar ao território nacional, exigindo coordenação entre autoridades de diferentes países.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

