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Ramos-Horta propõe encontro entre potenciais para reduzir arsenais nucleares

O Presidente da República, José Ramos-Horta, discursou na 81.ª sessão da AGNU, em Nova Iorque. Foto-GPR

DÍLI, 25 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, apelou aos países detentores de armas nucleares e às principais potenciais militares convencionais para realizarem uma cimeira destinada a reduzir os arsenais nucleares e a prevenir novos conflitos.

Ao discursar na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Ramos-Horta propôs que a reunião seja realizada em Portugal e tenha como objetivos discutir um compromisso de não utilização de armas nucleares em primeiro lugar, reforçar a comunicação entre os líderes das potências nucleares e estabelecer um processo de redução dos arsenais com vista à sua eliminação.

O Presidente timorense dirigiu um apelo direto ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que tome uma iniciativa diplomática que reúna, sem exceção, todas as potências nucleares, bem como os principais países e setores da indústria militar.

“Seja o Presidente Trump, o audacioso, o imprevisível. Faça o impensável e ganhará gratidão e respeito em todo o mundo”, afirmou, alertando que a existência de grandes arsenais nucleares mantém a humanidade perante o risco de uma catástrofe provocada por acidente, erro de cálculo, falha informática ou decisão estratégica.

“Em qualquer dia, por acidente, erro de cálculo, erro informático, loucura ou decisão estratégica insensata, poderíamos tornar-nos na última geração humana”, advertiu.

O Chefe de Estado defendeu que os países devem manter canais de diálogo mesmo quando existem profundas divergências.

“Falamos com os adversários para não nos tornarmos inimigos. Falamos com os inimigos para evitar guerras e, talvez, tornarmo-nos parceiros na paz”, afirmou.

Ramos-Horta recordou ainda o encontro entre Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un na zona desmilitarizada da Península da Coreia, em 2019, como exemplo da importância da coragem política e do diálogo direto na promoção da paz.

“É isto que os líderes fazem para promover a paz. Mostraram coragem, audácia”, afirmou.

O Presidente timorense considerou igualmente que os milhares de milhões de dólares investidos no desenvolvimento de armamento deveriam ser parcialmente direcionados para responder às necessidades sociais, nomeadamente no acesso a água potável, alimentação, escolas e unidades de saúde.

Ramos-Horta advertiu ainda que a corrida ao armamento constitui um obstáculo à cooperação internacional necessária para enfrentar a pobreza, as alterações climáticas e outros desafios globais.

Notícia relevante: Ramos-Horta pede ação global para travar ciclo de conflitos e reforçar multilateralismo

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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