OMS alerta para risco de expansão do surto de ébola na República Democrática do Congo

DÍLI, 21 de agosto de 2026 (TATOLI) – A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para o risco de propagação do surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC).
A organização alertou igualmente para o agravamento da situação sanitária nos países vizinhos, devido à intensa circulação de pessoas e às dificuldades de controlar a transmissão nas comunidades.
Durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, referiu o registo de quase cinco mil casos de infeção e mais de 2.300 mortes em seis províncias e 55 zonas da RDC.
Segundo a OMS, uma das principais prioridades é impedir a propagação internacional do vírus e reduzir o risco de transmissão para os países vizinhos, sobretudo a República Centro-Africana, onde a circulação transfronteiriça de pessoas e mercadorias aumenta o risco de novos casos.
A situação é agravada pela insegurança, pelos movimentos populacionais e pela intensa atividade comercial e mineira ao longo das estradas e dos rios, fatores que dificultam a vigilância e o controlo epidemiológico.
A expansão do surto para as províncias do norte da RDC, nomeadamente Tshopo e Haut-Uélé, também preocupa as autoridades, uma vez que a emergência sanitária ocorre num contexto marcado por graves necessidades humanitárias.
A OMS alertou também para o risco associado à introdução da variante Bundibugyo num contexto de elevada fragilidade dos sistemas de saúde, o que poderia provocar consequências graves a nível regional.
No Uganda, foram registados 20 casos e duas mortes. Apesar de o Governo ugandês ter sido elogiado pela resposta rápida, que permitiu travar a transmissão local, a OMS mantém um elevado nível de alerta.
A deteção de um caso em França, na sequência da chegada de um viajante infetado, demonstra igualmente que o surto não está limitado ao continente africano. Para a OMS, as fronteiras podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação do vírus.
A organização alertou para a existência de transmissão não detetada nas comunidades e para as dificuldades de controlar a epidemia na RDC. O rápido aumento inicial dos casos obrigou as equipas médicas a atuar sobretudo de forma reativa.
Um dos principais motivos de preocupação é o elevado número de mortes registadas fora dos centros de tratamento. Segundo a OMS, algumas pessoas estão a morrer nas suas próprias comunidades sem terem sido identificadas ou incluídas nas listas de contactos conhecidos.
No âmbito da resposta ao surto, está em desenvolvimento uma terceira vacina, que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio clínico de Fase 3. Paralelamente, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já integrou os primeiros 100 pacientes.
A organização apelou ao reforço da partilha de dados, à disponibilização de financiamento sustentável e ao fortalecimento da segurança e da coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.
Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que o ébola representa apenas uma das várias crises que afetam a população da RDC e dos países vizinhos.
A mortalidade materna, a malária, a cólera, as doenças diarreicas e a pneumonia continuam a provocar mortes, pelo que a OMS defende que a mobilização contra o atual surto não deve comprometer o acesso da população aos restantes serviços essenciais de saúde.
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Equipa da Tatoli

