Ramos-Horta homenageia heróis da luta pela independência no Monte Matebian

BAUCAU, 20 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, afirmou que as celebrações do 51.º aniversário das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (FALINTIL), realizadas no Monte Matebian, em Baucau, constituem uma homenagem aos heróis que sacrificaram a vida pela libertação do país.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado apelou às entidades presentes para honrarem todos os combatentes da resistência, destacando os mártires que morreram nos campos de batalha, os que enfrentaram prisão, perseguição e tortura, bem como as famílias que suportaram a ausência e os sofrimentos ao longo de décadas.
Ramos-Horta evocou ainda os resistentes que lutaram nas montanhas, as mulheres e os jovens, os líderes comunitários, os ativistas da diáspora e figuras religiosas como Dom Martinho da Costa Lopes, Dom Ricardo da Silva, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo e Dom Basílio dos Nascimento, sublinhando o papel de todos na preservação da causa timorense.
O Presidente prestou também homenagem aos grandes líderes políticos e militares da luta nacional, entre eles Francisco Xavier do Amaral, Nicolau Lobato, Fernando La-Sama de Araújo, Mahuno, David Alex, Nino Konis Santana, Francisco Guterres “Lu Olo”, João Carrascalão e vários comandantes como Aquiles, Carmo e José Silva.
Ramos‑Horta dirigiu igualmente palavras de reconhecimento aos heróis vivos e apelou à continuidade das orações pelos líderes que conduziram as FALINTIL até à vitória, incluindo Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak, Lere Anan Timur, Falur Rate Laek e Mari Alkatiri, bem como pelos veteranos e todos os que contribuíram para a restauração da independência.
O Chefe de Estado sublinhou que a libertação do país resultou de uma “extraordinária convergência” entre a resistência armada, a rede clandestina e a frente externa, cada uma assumindo responsabilidades distintas e enfrentando sacrifícios que, isoladamente, não teriam permitido alcançar a vitória.
Segundo Ramos‑Horta, a resistência armada, representada pelas FALINTIL, enfrentou “a missão mais difícil”, resistindo durante 24 anos à ocupação militar em condições de extrema assimetria, com escassos recursos materiais, mas sustentada por uma força moral excecional. Recordou ainda os milhares de jovens que abandonaram famílias e projetos pessoais para defender um sonho coletivo, muitos dos quais morreram sem que os seus nomes fossem conhecidos.
Por sua vez, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas das FALINTIL- Forças Armadas de Timor-Leste, Tenente-General Falur Rate Laek, apelou à população para continuar a promover a reconciliação, essencial para garantir a paz e a estabilidade no país.
“Com profunda emoção e elevado sentido de responsabilidade, dirijo-me hoje a todos vós, neste sopé do sagrado Monte Matebian, que se ergue como uma testemunha silenciosa, mas eloquente, da coragem e determinação do nosso povo perante a guerra imposta por forças estrangeiras e a nossa imaturidade e inexperiência política naquela época”, referiu.
Falur Rate Laek recordou que, há 51 anos, o Comité Central da FRETILIN decidiu, em Aileu, criar as FALINTIL, decisão que alterou o destino do povo timorense. Evocou também os civis e militares que perderam a vida no Matebian durante o cerco e aniquilamento, incluindo crianças, jovens e idosos, e destacou a importância dos locais sagrados que testemunham o sofrimento da população.
O Tenente‑General afirmou que a escolha do Monte Matebian para as celebrações representa uma oportunidade para reforçar a reconciliação institucional, promover a educação histórica e consolidar a unidade nacional, reafirmando o compromisso das estruturas de defesa e segurança com os valores fundamentais da nação.
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Equipa da Tatoli

