Xanana defende ação conjunta da CPLP perante conflitos e desafios globais

DÍLI, 19 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, defendeu hoje uma ação política conjunta da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para responder aos conflitos, às violações dos direitos humanos e aos desafios globais.
Na abertura da XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em Díli, o Chefe do Governo sublinhou a necessidade de a organização amplificar a sua voz em defesa da paz, da justiça e da dignidade humana.
Xanana Gusmão afirmou que as experiências históricas dos Estados-Membros da CPLP proporcionam conhecimento para compreender outros processos e desafios no mundo, evocando, neste contexto, a luta de Timor-Leste pela restauração da independência e estabelecendo um paralelo com a situação do Sahara Ocidental.
Recordou que, após a adoção da Resolução 690 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a 29 de abril de 1991, que criou a missão para o Referendo no Sahara Ocidental, a resistência timorense acompanhou o processo com expectativa de que a consulta se pudesse realizar em janeiro de 1992.

“Se em janeiro de 1992 houver referendo no Sahara, depois disso será a Palestina e, muito provavelmente, depois disto seremos nós”, recordou Xanana Gusmão, citando a mensagem transmitida à resistência timorense.
Segundo o PM, a evolução do processo no Sahara Ocidental reforçou a determinação da resistência timorense em prosseguir a luta pela autodeterminação.
Xanana Gusmão recordou também os acontecimentos de 1999, quando a violência ameaçava o processo de consulta popular sobre o futuro de Timor-Leste. Relatou que, enquanto se encontrava detido em Jacarta, foi informado por um representante especial do Secretário-Geral da ONU da intenção de adiar o referendo devido à insegurança e à perda de vidas, posição que rejeitou.
Para o PM, a experiência timorense demonstra a importância de a comunidade internacional não permanecer indiferente perante situações de conflito e de sofrimento, defendendo que a CPLP deve encontrar formas de construir consensos que permitam fazer ouvir a sua voz política.

O Chefe do Governo destacou ainda a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU no biénio 2027-2028, considerando que a presença do país naquele órgão representa uma oportunidade para projetar os valores e prioridades partilhados pelos Estados da CPLP.
“Todos os países que integram a CPLP podem e devem contribuir para concretizar esse papel de Portugal como construtor de pontes, focado no diálogo global, dando-lhe conteúdo concreto através das nossas ações”, afirmou.
Xanana Gusmão felicitou ainda os progressos alcançados na implementação da visão estratégica da CPLP ao longo da última década, sublinhando que foram estabelecidas bases importantes para a ação comum da organização.
Relativamente aos trabalhos para a nova visão estratégica da CPLP para o período 2027-2033, defendeu o aprofundamento da cooperação político-diplomática e multissetorial, bem como o reforço da projeção internacional da comunidade.

“Espero, por isso, que este novo ciclo que se avizinha se traduza em mais mobilidade, no estreitamento dos vínculos entre os nossos cidadãos, numa juventude plenamente mobilizada como verdadeiro pilar estratégico do nosso futuro e numa maior segurança económica, social e alimentar”, afirmou.
No final da intervenção, Xanana Gusmão apelou aos Estados-Membros para reforçarem a cooperação na defesa da paz, na proteção do clima e na preservação do planeta.
Notícia relevante: PR apela à consolidação do Estado de direito e da democracia na CPLP
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

