Estudo alerta para desafios no cumprimento das metas alimentares até 2030

DÍLI, 14 de agosto de 2026 (TATOLI) – O atual ritmo de transformação dos sistemas alimentares não é suficiente para garantir que os países cumpram as metas estabelecidas para 2030, alerta uma iniciativa científica internacional.
A maioria dos países apresenta progressos insuficientes, estagnação ou retrocessos em vários dos principais indicadores dos sistemas alimentares, colocando em risco o cumprimento dos objetivos definidos para o final da década.
A conclusão consta de uma análise publicada na revista Nature Food pela Food Systems Countdown Initiative (FSCI), uma colaboração científica internacional em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A avaliação analisou 44 indicadores relacionados com os sistemas alimentares, abrangendo áreas como a erradicação do trabalho infantil, o controlo dos preços, a redução da insegurança alimentar e a melhoria da governação local.
Segundo o estudo, muitos países continuam significativamente afastados das metas estabelecidas. Em África, por exemplo, a distância em relação ao objetivo de reduzir para 2% a proporção da população sem capacidade para suportar o custo de uma dieta saudável é de 58,7 pontos percentuais.
Para Sais Europe, professora de política alimentar e clima na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos da América, os dados permitem acompanhar o progresso alcançado e compreender melhor a situação dos diferentes países.
Alimentação saudável continua fora do alcance de milhões
O acesso a uma alimentação saudável continua, contudo, condicionado pelas dificuldades financeiras enfrentadas por milhões de pessoas em todo o mundo.
Para cumprir as metas previstas para 2030, a FSCI estima que será necessário acelerar significativamente o ritmo das transformações nas próximas décadas. Em alguns dos indicadores analisados, serão necessárias reduções anuais superiores a 60% para que determinados objetivos possam ser alcançados até 2050.
Segundo a análise, a transformação dos sistemas alimentares globais exigirá maior compromisso e criatividade para proteger as populações mais vulneráveis e garantir progressos sustentados até meados do século.
O estudo apresenta ainda uma estrutura destinada a apoiar Governos, investidores e responsáveis pela formulação de políticas públicas na definição de prioridades e na implementação das reformas necessárias.
José Rosero Moncayo, Diretor da Divisão de Estatística da FAO, considera que os sistemas alimentares globais exigem uma ação imediata. Segundo o responsável, com milhares de milhões de pessoas ainda sem capacidade financeira para garantir uma alimentação saudável, a análise traça um retrato do estado atual dos sistemas alimentares e aponta as principais áreas que necessitam de reformas para acelerar os progressos rumo às metas de 2030.
Equipa da Tatoli

