Jovens de todo o mundo defendem participação ativa na governação global da IA

DÍLI, 13 de agosto de 2026 (TATOLI) — Mais de 600 jovens de diferentes partes do mundo reuniram-se esta quarta-feira, em Nova Iorque, numa iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) destinada a debater o papel da Inteligência Artificial (IA) na concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A iniciativa decorreu por ocasião do Dia Internacional da Juventude, assinalado anualmente a 12 de agosto desde 2000, e procurou reforçar a participação dos jovens nos debates sobre o futuro da IA e da sociedade digital.
Na sequência de debates e workshops promovidos pela Organização Internacional da Juventude, os participantes apresentaram uma Declaração sobre Políticas e Governação da IA liderada por jovens. O documento deverá contribuir para os futuros esforços da ONU destinados a estabelecer princípios de governação global da IA, nomeadamente no âmbito do Pacto Digital Global.
O encontro dá continuidade a outras iniciativas da ONU destinadas a integrar a perspetiva dos jovens nos processos de decisão relacionados com a IA, incluindo o Diálogo Global sobre a governação da IA, o Conselho Consultivo da Juventude do Secretariado da União Internacional das Telecomunicações e o Fórum sobre Ciência, Tecnologia e Inovação.
O Secretário‑Geral adjunto da ONU para os Assuntos da Juventude, Felipe Paullier, afirmou que os jovens presentes no encontro pertencem à geração que viverá durante mais tempo com as consequências do desenvolvimento da IA.
Segundo Paullier, o Dia Internacional da Juventude representa uma oportunidade para ouvir jovens de diferentes origens e compreender de que forma a tecnologia pode contribuir para um futuro mais favorável à humanidade.
A estudante de 19 anos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Samara Allen, moderou a sessão de abertura, um momento que procurou destacar o papel dos jovens na liderança dos debates sobre IA.
Vários embaixadores e responsáveis da ONU defenderam que os jovens, por serem a geração que viverá durante mais tempo com os impactos da IA, devem participar na definição das futuras normas internacionais para a tecnologia.
Por sua vez, o embaixador da Dominica, Philbert Aaron, referiu que esta não é apenas uma conversa sobre tecnologia. “É uma conversa sobre poder, dignidade, oportunidades, cultura e sobre o futuro que escolhemos construir em conjunto”, disse.
Os participantes abordaram igualmente a necessidade de evitar que os países em desenvolvimento fiquem para trás na transição para a economia baseada na IA.
Com o apoio dos embaixadores das Bahamas e da Dominica, e com a participação de representantes do Paquistão e de Tonga, os delegados discutiram formas de garantir um acesso mais equitativo às novas tecnologias.
Na mesma linha, o governador da região do Baluchistão, no Paquistão, Sheikh Jaffar Khan Mandokhail, alertou que o progresso tecnológico não se traduzirá automaticamente em progresso humano se os países em desenvolvimento não tiverem acesso a infraestruturas, capacidade computacional, competências, financiamento e conhecimento.
Já o secretário‑geral da ONU, António Guterres, numa mensagem divulgada ontem, destacou a criatividade, o dinamismo e a liderança dos jovens em todo o mundo.
O dirigente reconheceu que a juventude enfrenta desafios como a incerteza económica, a inclusão digital e as alterações climáticas, sublinhando que a ONU apoia uma maior participação dos jovens nos processos de tomada de decisão.
A discussão sobre o futuro da IA ocorre num momento em que o desemprego juvenil mundial volta a aumentar.
Antes do Dia Internacional da Juventude, a Organização Internacional do Trabalho publicou um relatório que alerta para uma nova subida do desemprego entre os jovens, após a recuperação registada no período posterior à pandemia de covid‑19.
O relatório revela ainda que 6,1% dos empregos ocupados por jovens entre os 15 e os 29 anos pertencem a categorias particularmente expostas às transformações provocadas pela IA.
Perante este cenário, os participantes defenderam que os jovens devem assumir um papel ativo na definição do futuro da tecnologia, garantindo que a IA contribua para desenvolver competências e novas oportunidades, em vez de provocar apenas a eliminação de postos de trabalho.
Equipa da Tatoli

