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OIT alerta: milhões de jovens continuam excluídos do trabalho digno

Trabalhadores timorenses. Imagem Tatoli/António Daciparu.

DÍLI, 13 de agosto de 2026 (TATOLI) — O desemprego juvenil continua a aumentar em várias regiões do mundo, num cenário marcado pela fraca criação de emprego, pela desaceleração do crescimento económico, pelas tensões geopolíticas e pelas rápidas transformações tecnológicas, alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo o relatório Tendências Globais do Emprego para os Jovens 2026: de volta ao futuro, a taxa mundial de desemprego entre os jovens, que se manteve nos 12,3% em 2023 e 2024, subiu para 12,4% em 2025. No total, cerca de 67 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos estão desempregados.

Entre 2023 e 2025, as taxas de desemprego juvenil aumentaram em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT.

Para Eesha Moitra, especialista em emprego da OIT, o desafio não passa apenas pela criação de mais postos de trabalho para os jovens. É também necessário investir em competências, direitos laborais e proteção social, assegurando que os avanços tecnológicos contribuam para criar oportunidades.

A OIT considera que a Inteligência Artificial (IA) e outras mudanças tecnológicas estão a transformar rapidamente o mercado de trabalho, criando oportunidades, mas também colocando em risco algumas profissões tradicionalmente utilizadas como porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho.

Estima-se que 6,1% dos empregos ocupados por jovens estejam em profissões altamente expostas às mudanças relacionadas com a IA. Entre as áreas mais afetadas encontram-se algumas ocupações que exigem qualificações intermédias e que já registam uma redução da procura.

Em contraste, a procura continua a aumentar em profissões técnicas e especializadas nas áreas da ciência, saúde e engenharia.

A situação é particularmente preocupante entre as jovens mulheres. De acordo com o relatório, 257 milhões de jovens em todo o mundo não estavam empregados, a estudar ou a frequentar formação profissional — uma situação conhecida pela sigla inglesa NEET.

No ano passado, 27,4% das jovens encontravam-se nessa situação, contra 13,1% dos jovens. A taxa feminina era, assim, mais do dobro da masculina.

A OIT alerta que a exclusão dos jovens do mercado de trabalho pode ter consequências prolongadas, comprometendo o acesso a rendimentos estáveis, proteção social e oportunidades de desenvolvimento profissional.

Na América Latina, a tendência foi diferente. A taxa de desemprego entre os jovens diminuiu 1,4 pontos percentuais, situando-se nos 11,9% em 2025.

O Brasil, a Colômbia e o México, os países mais populosos da região, contribuíram de forma significativa para esta redução, ao registarem uma tendência de queda no desemprego juvenil.

Entre os países que têm o português como língua oficial analisados pela OIT, Angola apresentou uma taxa de desemprego juvenil de 17,6%, seguida de Portugal, com 13,1%, Moçambique, com 10,9%, e o Brasil, com 10,5%.

São Tomé e Príncipe registou 6,9%, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste apresentaram uma taxa de 3,2%.

Baixo desemprego não significa emprego de qualidade

Nos países em desenvolvimento, as baixas taxas de desemprego juvenil nem sempre refletem uma situação favorável no mercado de trabalho.

Segundo a OIT, muitos jovens não têm condições económicas para permanecer desempregados e acabam por aceitar empregos informais, temporários ou instáveis.

Quase nove em cada dez jovens entre os 15 e os 29 anos nos países de baixo e médio rendimentos trabalham informalmente. Esta realidade limita o acesso a rendimentos estáveis, direitos laborais e mecanismos de proteção social.

Nas economias de elevado rendimento, os desafios assumem outras características. Na América do Norte, por exemplo, a taxa de desemprego juvenil aumentou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No Norte, Sul e Oeste da Europa, manteve-se em cerca de 15% no mesmo período.

A redução de postos de trabalho que exigem qualificações intermédias está a dificultar a entrada dos jovens no mercado de trabalho. Entre as funções afetadas encontram-se empregos administrativos e de escritório, bem como algumas ocupações nos setores dos serviços e das vendas.

Para a OIT, esta tendência pode dificultar a construção de carreiras profissionais estáveis, sobretudo para os jovens que procuram o primeiro emprego.

O Diretor-Geral da organização, Gilbert Houngbo, defende que uma geração incapaz de encontrar trabalho digno terá maiores dificuldades em construir o futuro com confiança.

Segundo o dirigente, quando os jovens são excluídos de empregos de qualidade, os países perdem talento, produtividade e coesão social. A criação de empregos dignos para os jovens deve, por isso, ser encarada não apenas como uma necessidade social, mas também como um investimento estratégico.

Para a OIT, a IA deve ser regulada com foco nas pessoas, garantindo que o avanço tecnológico abra portas e não aumente desigualdades.

A organização recomenda ainda o investimento numa educação de qualidade, na aprendizagem ao longo da vida e em programas de formação profissional.

O reforço dos serviços de emprego e das instituições do mercado de trabalho é outra das medidas apontadas, com o objetivo de facilitar a transição dos jovens para o mundo profissional.

A OIT destaca igualmente a necessidade de dar especial atenção às jovens, que continuam a enfrentar maiores obstáculos no acesso ao emprego e à formação.

Para a organização, o desafio não consiste apenas em criar mais postos de trabalho, mas em garantir empregos que proporcionem segurança, dignidade e oportunidades de desenvolvimento, permitindo aos jovens uma transição mais estável para a vida adulta.

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Equipa da Tatoli

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