IGTL reforça compromisso com criação de geoparque nacional para promover o desenvolvimento sustentável

DÍLI, 3 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL) reafirmou o seu compromisso com a criação de um geoparque nacional como parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável que integra ciência, conservação ambiental, educação, turismo e capacitação das comunidades.
O Presidente do IGTL, Job Brites dos Santos, fez estas declarações na abertura da Conferência Internacional sobre Geoparques, subordinada ao tema Geoparques: Potencial, Oportunidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável, realizada esta segunda-feira, na Universidade Nacional Timor Lorosa’e, em Díli.
Segundo Job Brites dos Santos, a iniciativa constitui não apenas um fórum científico, mas também uma oportunidade para Timor-Leste refletir sobre a forma de valorizar a sua riqueza geológica como base para o desenvolvimento futuro.
“Hoje não estamos apenas a lançar uma atividade, mas a iniciar uma reflexão sobre o futuro de Timor-Leste e sobre a forma como valorizamos o nosso território. A terra fala através das montanhas, das rochas, das nascentes, das grutas, dos fósseis e das paisagens que guardam a história da evolução do planeta”, afirmou.
O responsável salientou que, embora Timor-Leste seja um país relativamente jovem, o seu território possui uma história geológica com milhões de anos, constituindo um património de elevado valor não só para a investigação científica, mas também para o reforço da soberania nacional.
Defendeu ainda que a ciência e a inovação devem assumir um papel central no desenvolvimento do país, nomeadamente na compreensão dos recursos minerais, hídricos e do solo, na redução dos riscos de desastres naturais, no planeamento de infraestruturas, na atração de investimento responsável e na definição de políticas de ordenamento do território alinhadas com os interesses nacionais.
O dirigente acrescentou que os recursos naturais, incluindo o petróleo e os minerais, são limitados, pelo que o investimento no conhecimento representa uma aposta mais sustentável.
“Os recursos do subsolo podem sustentar apenas uma geração, mas o conhecimento pode sustentar as gerações futuras. O petróleo deve transformar-se em educação, os minerais em conhecimento e os recursos de hoje em instituições fortes para o futuro”, afirmou.
Explicou ainda que um geoparque não é apenas uma área de elevado valor geológico, mas uma paisagem viva que articula ciência, cultura, conservação, economia, educação e turismo.
“O coração de um geoparque não são as rochas, mas as pessoas. Um geoparque deve criar oportunidades para jovens, investigadores, guias turísticos, agricultores, artesãos, empresários e comunidades locais. A conservação só será sustentável se também gerar esperança”, salientou.
Segundo Job Brites dos Santos, a experiência internacional demonstra que os geoparques podem transformar regiões anteriormente pouco conhecidas em centros de ciência, cultura e turismo sustentável. No entanto, advertiu que Timor-Leste não deve limitar-se a replicar modelos estrangeiros.
“Devemos aprender com a experiência global, mas construir um modelo de geoparque alinhado com a nossa cultura, identidade e ligação do povo timorense à sua terra”, sublinhou.
Por sua vez, o Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco Monteiro, afirmou que, durante muitos anos, a riqueza natural de Timor-Leste esteve associada ao petróleo, ao gás e aos minerais. Contudo, considerou que o desenvolvimento futuro dependerá igualmente da capacidade do país para compreender, preservar e utilizar de forma sustentável o seu património geológico.
“O valor de uma nação não se mede apenas pelos recursos que possui, mas também pela sua capacidade para conhecer o seu território, preservar o seu património natural e transformar o conhecimento em oportunidades económicas, científicas e sociais para o seu povo”, referiu.
O ministro salientou que a riqueza geológica de Timor-Leste, resultante da convergência das placas tectónicas australiana e euroasiática, confere ao país paisagens únicas de elevado valor científico.
Acrescentou que as recentes descobertas paleontológicas em Timor-Leste têm despertado o interesse da comunidade científica internacional, criando oportunidades para reforçar a investigação, estabelecer centros de investigação e formar uma nova geração de geólogos, paleontólogos, geofísicos e outros investigadores timorenses.
Francisco Monteiro defendeu ainda que um geoparque deve ser encarado como um instrumento de desenvolvimento regional e não apenas como uma área de conservação.
“Os geoparques podem ligar ciência, educação, cultura, turismo e economia local. Têm capacidade para criar emprego, apoiar as pequenas empresas, reforçar a identidade das comunidades e valorizar os produtos locais”, afirmou.
Sublinhou igualmente que o sucesso de um geoparque exige uma forte colaboração entre diferentes setores, envolvendo o IGTL, as universidades, as autoridades locais, os setores do turismo, do ambiente, da educação e da cultura, bem como o setor privado e as comunidades.
Na mesma ocasião, o Presidente da Rede Global de Geoparques da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Artur Sá, afirmou que o conceito de Geoparque Global da UNESCO privilegia o desenvolvimento das comunidades, em vez de restringir as suas atividades.
“Um geoparque é um território onde vivem pessoas. O elemento mais importante de um geoparque são as pessoas. Trabalhamos com as comunidades e para as comunidades”, afirmou.
Explicou ainda que a UNESCO não impõe regulamentos legais específicos para os geoparques, cabendo a cada país gerir o seu geoparque de acordo com a respetiva legislação nacional.
Artur Sá destacou também a importância de compreender o património geológico como parte integrante da identidade nacional, devendo este ser preservado e transmitido às gerações futuras.
“O património é aquilo que herdamos dos nossos antepassados e é nossa responsabilidade preservá-lo para o transmitir às gerações futuras. Os geoparques transformam património, conhecimento e identidade em estratégias de desenvolvimento sustentável”, salientou.
Segundo o responsável, caso Timor-Leste venha a criar um geoparque, o modelo adotado deverá refletir as características sociais e culturais do país e responder às necessidades do povo timorense, em vez de reproduzir simplesmente modelos implementados noutros países.
Jornalista: Arminda Fonseca/Traduções: Equipa da Tatoli
Editora: Maria Auxiliadora

