DÍLI, 17 de julho de 2026 (TATOLI) – A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou novas orientações globais para a prevenção do declínio cognitivo e da demência, defendendo que até 45% dos casos poderão ser prevenidos ou adiados através da redução de fatores de risco modificáveis ao longo da vida.
Segundo a OMS, mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com demência em todo o mundo e são diagnosticados cerca de dez milhões de novos casos por ano. A doença de Alzheimer continua a ser a forma mais comum da doença, representando entre 60% e 70% dos casos.
Embora a demência continue a não ter cura, a organização sublinha que a ciência demonstra que a adoção de estilos de vida saudáveis, o controlo adequado das doenças crónicas e a redução da exposição a fatores ambientais podem diminuir significativamente o risco de desenvolver a doença.
“Hoje sabemos mais do que nunca sobre os fatores que aumentam o risco de demência, e estas orientações transformam esse conhecimento em ações concretas”, afirmou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Segundo o responsável, os países dispõem agora de recomendações claras que podem ser implementadas de imediato para proteger a saúde cognitiva das populações.
As novas orientações atualizam as recomendações publicadas pela OMS em 2019 e incorporam os mais recentes avanços científicos sobre a prevenção do declínio cognitivo ao longo de todas as fases da vida.
Entre as principais recomendações constam a prática regular de atividade física, a cessação do tabagismo, a redução do consumo de álcool e a adoção de uma alimentação saudável. A organização destaca ainda a importância do treino cognitivo, da participação em atividades sociais e do controlo de doenças como a hipertensão arterial, a diabetes e o colesterol elevado.
Pela primeira vez, a OMS inclui também a redução da exposição à poluição atmosférica nas estratégias de prevenção da demência. A utilização de aparelhos auditivos é igualmente apontada como uma medida que poderá contribuir para reduzir o risco da doença em algumas pessoas.
Em contrapartida, a organização desaconselha o recurso a suplementos de vitaminas B ou E, ácidos gordos ómega-3 ou multivitamínicos com a finalidade exclusiva de prevenir a demência, exceto quando exista uma deficiência comprovada. A OMS considera que não existem provas científicas suficientes de que estes suplementos ofereçam benefícios que justifiquem os potenciais riscos.
Segundo o organismo, para além da perda de memória e da deterioração das capacidades cognitivas, a demência compromete a autonomia, a dignidade e a segurança das pessoas afetadas, representando também um pesado encargo emocional, social e financeiro para as famílias e os cuidadores.
A OMS estima que o impacto económico da demência ascenda a cerca de 1,3 mil milhões de dólares americanos por ano a nível mundial, sendo aproximadamente metade desse montante atribuída aos cuidados informais prestados por familiares e amigos.
Perante este cenário, a organização defende que a prevenção da demência deve ser integrada nos serviços de combate às doenças não transmissíveis, de saúde mental e de promoção da saúde cerebral, com o objetivo de reduzir a incidência da doença e permitir que mais pessoas envelheçam com maior autonomia, saúde e qualidade de vida.
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Equipa da Tatoli




