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ONU reforça compromisso para colmatar défice de quatro mil milhões de dólares da Agenda 2030

ONU reforça compromisso para colmatar défice de quatro mil milhões de dólares da Agenda 2030

DÍLI, 20 de julho de 2026 (TATOLI) – Os Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) comprometeram-se a intensificar os esforços para colmatar um défice de financiamento de quatro mil milhões de dólares americanos da Agenda 2030.

O esforço passa pela mobilização de investimento público e privado, pela redução da dívida dos países em desenvolvimento e pelo reforço do combate à corrupção.

O compromisso foi assumido no encerramento do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, decorrido entre 7 e 15 de julho, em Nova Iorque. No evento, foi aprovada uma declaração política que reafirma a erradicação da pobreza extrema como a principal prioridade da agenda internacional para o desenvolvimento.

O documento, elaborado pelo Conselho Económico e Social da ONU (ECOSOC), reconhece-se que o atual contexto geopolítico continua a dificultar a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sublinhando a necessidade de reforçar a cooperação multilateral para enfrentar os desafios globais.

Na sessão de encerramento, o Presidente do ECOSOC, Lok Bahadur Thapa, condenou os ataques às rotas marítimas de navegação e manifestou preocupação com as limitações orçamentais da ONU. Ainda assim, considerou que o consenso alcançado entre os Estados-Membros demonstra a capacidade do multilateralismo para responder aos desafios comuns.

Entre os principais obstáculos identificados durante o fórum destaca-se a redução da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD). Dados apresentados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico revelam que a APD diminuiu 23% entre 2024 e 2025, na sequência dos cortes orçamentais efetuados pelos cinco maiores doadores mundiais: os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a Alemanha, a França e o Japão.

Perante este cenário, os países em desenvolvimento apelaram ao cumprimento do compromisso internacional de afetar 0,7% do Produto Interno Bruto à ajuda ao desenvolvimento.

Durante o encontro, o Secretário-Geral adjunto da ONU para o Desenvolvimento Económico, Navid Hanif, defendeu que uma maior coordenação entre os parceiros internacionais e a redução da exclusão digital poderão acelerar a implementação dos ODS, mesmo num contexto de recursos financeiros limitados.

Também o Presidente do Comité de Políticas de Desenvolvimento da ONU, José António Ocampo, alertou que o sucesso da Agenda 2030 dependerá da redução das taxas de juro internacionais e do reforço da capacidade financeira dos bancos multilaterais de desenvolvimento, de forma a aumentar o apoio aos países mais vulneráveis.

Apesar dos desafios, a ONU pretende manter o foco na concretização da Agenda 2030, ao mesmo tempo que começa a preparar o quadro internacional de desenvolvimento para o período posterior a 2030.

Nesse sentido, está prevista para o próximo ano uma reunião de alto nível destinada a definir as futuras orientações da cooperação internacional em torno dos ODS.

A Secretária-Geral adjunta da ONU, Amina Mohammed, afirmou que a organização não pretende substituir a Agenda 2030, mas sim consolidar os compromissos já assumidos e acelerar a sua implementação durante os próximos cinco anos.  Defende igualmente que os ODS continuam a constituir a principal referência para o desenvolvimento sustentável à escala global.

Notícia relevante: Timor-Leste defende simplificação dos mandatos da ONU

Equipa da Tatoli

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