DÍLI, 6 de julho de 2026 (TATOLI) – A construção da Biblioteca Nacional, um projeto avaliado em cerca de 11,73 milhões de dólares americanos, entrou oficialmente em fase de execução. O projeto concretiza 16 anos de planeamento, com desenho, concursos públicos e coordenação institucional.
A obra foi lançada pelo Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, numa cerimónia realizada no Bairro Pité, em Díli, na presença do Vice-Primeiro-Ministro, Francisco Kalbuadi Lay, de membros do Governo, do corpo diplomático e de representantes de várias instituições nacionais e internacionais. A obra tem um prazo de execução estimado de 18 meses e será executada pelo consórcio CGCOC-ASUC JV, vencedor do concurso público internacional.
Intervindo no evento, o Presidente da Autoridade Nacional do Petróleo, Gualdino da Silva, afirmou que a obra teve início em 2010 e enfrentou múltiplos desafios ao longo do seu desenvolvimento, incluindo a definição do terreno, dos estudos técnicos, do desenvolvimento do projeto arquitetónico e atrasos provocados pela covid-19.
O dirigente explicou que, após várias etapas, o terreno definitivo foi identificado no Bairro Pite, em 2013, permitindo avançar com os estudos técnicos e a conceção do projeto, concluídos em 2018. O processo de concurso foi posteriormente lançado, sofrendo interrupções e revisões até à reabertura de um novo concurso internacional em 2024.
Em novembro de 2025, o consórcio CGCOC-ASUC JV foi oficialmente selecionado como vencedor, tendo o contrato sido assinado em dezembro do mesmo ano. O arranque formal dos trabalhos ocorreu em janeiro de 2026, com o início da engenharia detalhada e preparação do estaleiro.
Por sua vez, Francisco Kalbuadi Lay afirmou que a Biblioteca Nacional representa um investimento estruturante para o futuro do país, sublinhando que a infraestrutura terá um papel central na preservação da memória nacional, na promoção da educação e no apoio à investigação científica.
“Este momento representa mais do que o início de um edifício. É o início de uma instituição que preservará a memória nacional, apoiará a educação e garantirá o acesso ao conhecimento para as próximas gerações”, disse.
O governante destacou ainda que o desenvolvimento nacional não se limita a infraestruturas físicas, mas exige igualmente investimento em educação, cultura e conhecimento, considerando a Biblioteca Nacional uma peça fundamental nesse processo.
O projeto integra-se no plano de desenvolvimento do conteúdo local associado aos Contratos de Partilha de Produção, contando com financiamento da empresa petrolífera ENI Timor-Leste e dos seus parceiros, bem como da contribuição do Governo timorense através da Secretaria de Estado da Arte e Cultura.
O Diretor-Geral da empresa petrolífera ENI em Timor-Leste, Emanuele Calviello, destacou que a empresa tem operado em Timor-Leste há mais de 20 anos, não apenas no setor petrolífero, mas também através de uma relação de parceria com o país e a sua cultura.
Emanuele Calviello sublinhou que a empresa adota uma abordagem de desenvolvimento sustentável, defendendo que o projeto da Biblioteca Nacional deve ir além de um espaço de livros, tornando-se um verdadeiro “centro cultural” ao serviço da sociedade timorense.
“Esperamos que a Biblioteca Nacional se torne uma casa da cultura, onde o património cultural do país seja preservado e transmitido às futuras gerações”, referiu.
Vale recordar que o projeto da Biblioteca Nacional enfrentou sucessivos adiamentos ao longo da última década, devido a constrangimentos administrativos, alterações no modelo de financiamento e à desistência de empresas anteriormente selecionadas.
Apesar de a ENI Timor-Leste ter assegurado, desde 2010, um financiamento de cerca de dez milhões, e de o Governo ter avançado com algumas obras preliminares concluídas em 2021, os concursos públicos lançados posteriormente não tiveram continuidade.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




