DÍLI, 30 de junho de 2026 (TATOLI) – Cerca de 680 mil crianças encontram-se entre os 1,8 milhões de pessoas que necessitam de assistência humanitária após os sismos que atingiram a Venezuela no passado dia 24, informou ontem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), os danos provocados em hospitais, escolas e sistemas de abastecimento de água agravaram a situação das famílias afetadas, muitas das quais continuam deslocadas.
Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, provocaram, até esta terça-feira, pelo menos 1.719 mortos e 2034 feridos, de acordo com o mais recente balanço oficial. Mais de 3.100 famílias foram afetadas, enquanto as autoridades continuam a avaliar a extensão dos danos e a monitorizar as réplicas que continuam a atingir as zonas mais devastadas.
No sábado, o Coordenador Humanitário da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla, deslocou-se ao estado de La Guaira, o mais afetado pela catástrofe, acompanhado por representantes de várias agências da organização. A visita incluiu uma inspeção às áreas mais atingidas e ao centro de coordenação das operações de busca e resgate.
Em colaboração com as autoridades venezuelanas, a missão identificou igualmente locais para a instalação de centros de apoio destinados às famílias que perderam as suas habitações ou que ainda não podem regressar às mesmas.
Gianluca Rampolla destacou a forte mobilização de voluntários, vizinhos e equipas internacionais de resgate que se deslocaram à Venezuela para apoiar as vítimas.
“Numa altura em que estamos constantemente focados nas más notícias que acontecem no mundo, este é um gesto de solidariedade global para apoiar o povo venezuelano”, afirmou.
O responsável acrescentou que a prioridade continua a ser salvar as pessoas ainda presas sob os escombros, ao mesmo tempo que se reforça o apoio aos sobreviventes.
Atualmente, equipas provenientes de 27 países, compostas por mais de 2.200 operacionais e 140 cães de busca, participam nas operações de resgate com o apoio e coordenação da ONU.
A UNICEF alerta que a crise ultrapassa largamente a destruição das infraestruturas. Centenas de milhares de crianças enfrentam agora dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, à água potável, à proteção e à educação.
“Os hospitais estão a funcionar acima da sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso fiável a água potável e muitas escolas sofreram danos”, afirmou Manuel Rodríguez Pumarol, representante da UNICEF na Venezuela.
Segundo o responsável, a agência está a trabalhar em estreita colaboração com o Governo venezuelano e os parceiros humanitários para reforçar a assistência às famílias, alertando, contudo, que será necessário financiamento sustentado para manter as operações nas próximas semanas.
A UNICEF informou ainda que os danos registados em hospitais dos estados de La Guaira, Caracas, Carabobo, Aragua e Falcón estão a comprometer o atendimento a crianças e mulheres grávidas.
Na capital daquele país, as avaliações preliminares apontam para danos em 432 escolas, mais de um terço do total existente. Algumas das escolas que permanecem operacionais estão a servir de abrigo temporário para famílias deslocadas.
Para responder à emergência, a agência mobilizou equipas e ajuda humanitária suficiente para apoiar cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças, nas áreas de saúde, nutrição, água, saneamento, proteção infantil e educação.
O primeiro voo humanitário da UNICEF, transportando 20 toneladas de medicamentos e equipamento para água e saneamento, chegou ao país na sexta-feira. Um segundo carregamento, proveniente do centro logístico da organização em Copenhaga, na Dinamarca, deverá chegar nos próximos dias.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que, das 21 unidades de saúde avaliadas, três encontram-se em estado crítico e outras seis sofreram danos estruturais ou funcionam apenas parcialmente.
Os hospitais continuam a receber um elevado número de feridos, sobretudo com traumatismos, lesões ortopédicas e neurológicas, enfrentando carências de medicamentos, material para cuidados intensivos, água, eletricidade e equipamentos médicos.
Em La Guaira, a ONU instalou três hospitais de campanha, dotados de unidades de cuidados intensivos, salas de tratamento e áreas de traumatologia, para reforçar a capacidade de resposta.
Além do apoio logístico e médico, a OPAS está também a colaborar com as autoridades venezuelanas na avaliação das infraestruturas de saúde, na coordenação das equipas médicas de emergência e no envio de medicamentos e outros bens essenciais.
As avaliações identificaram igualmente uma necessidade urgente de apoio psicológico e psicossocial às vítimas, às famílias que procuram familiares desaparecidos, aos profissionais de saúde e às equipas de primeira intervenção.
Equipa da Tatoli




