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Mari Alkatiri apela à união nacional para honrar legado de “Lú Olo”

Mari Alkatiri apela à união nacional para honrar legado de “Lú Olo”

O antigo Presidente da República, Francisco Guterres “Lú Olo”, e o ex-Primeiro-Ministro, Mari Alkatiri, participaram nas comemorações do aniversário da Consulta Popular, no Estádio Municipal de Díli. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 24 de junho de 2026 (TATOLI) – O Secretário-Geral da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), Mari Alkatiri, apelou hoje aos timorenses para transformarem a dor pela morte de Francisco Guterres “Lú Olo” em força capaz de reforçar a unidade nacional e dar continuidade à luta contra a pobreza. Defendeu que esta é a melhor forma de honrar o legado de uma das figuras mais importantes da história da política do país.

As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa realizada na residência da família de “Lú Olo”, no Farol, em Díli. Alkatiri recordou os últimos momentos de vida do antigo Chefe de Estado, destacou o seu percurso político e abordou os desafios que a FRETILIN enfrenta após a perda do seu presidente.

“Temos de transformar a nossa tristeza em força. Temos um longo caminho pela frente e só unidos conseguiremos avançar”, disse.

Alkatiri afirmou ter acompanhado de perto o tratamento médico de “Lú Olo” e manifestou solidariedade para com a família neste período de luto.

“Estou aqui porque a situação exige o meu apoio à família. Considero-me parte desta família. Mantivemos sempre a esperança de que o Presidente recuperasse e regressasse ao país”, afirmou.

O dirigente explicou que não lhe compete divulgar informações clínicas, salientando que qualquer esclarecimento sobre o relatório médico deve ser prestado pelo Governo.

Segundo o líder da FRETILIN, os ideais dos fundadores da nação, dos heróis e dos mártires da resistência apenas poderão ser concretizados através de um esforço coletivo para combater a pobreza e melhorar as condições de vida da população. “Devemos continuar a luta para libertar o povo da pobreza e das dificuldades. Essa deve ser uma causa comum que una todos os timorenses”, declarou.

Alkatiri revelou também que manteve conversas frequentes com “Lú Olo” antes do agravamento do seu estado de saúde e recordou uma mensagem que recebeu do antigo Presidente. “Ele dizia frequentemente que, enquanto estivéssemos juntos, continuaríamos a trabalhar pelo país. Quando um partisse, o outro deveria prosseguir a missão”, recordou.

O Secretário-Geral da FRETILIN afirmou que essas palavras lhe recordam uma mensagem semelhante transmitida pelo herói nacional Nicolau Lobato durante o período da resistência, reforçando a responsabilidade de continuar a servir a nação.

Questionado sobre as qualidades pessoais de “Lú Olo”, Alkatiri descreveu-o como um “homem íntegro, transparente e firme” na defesa do combate à corrupção.

“Era uma pessoa extremamente honesta e preocupada com a justiça social. Defendia sempre os interesses daqueles que menos têm”, salientou.

Relativamente à sucessão de “Lú Olo” na presidência da FRETILIN, Alkatiri esclareceu que a decisão caberá aos órgãos competentes do partido.  “A Comissão Política Nacional, o Comité Central e o Congresso Nacional tomarão as decisões necessárias para garantir a continuidade do partido”, afirmou.

Sobre a decisão de sepultar “Lú Olo” junto dos túmulos de Francisco Xavier do Amaral e de Mahuno, Alkatiri explicou que a proposta partiu da FRETILIN e foi posteriormente acolhida pelo Executivo.

Segundo o dirigente, trata-se de um reconhecimento merecido pelo percurso político e histórico do antigo Presidente.  “Lú Olo dedicou toda a sua vida ao serviço do país. Foi militante da FRETILIN desde 1974, dirigente da resistência, Presidente da Assembleia Constituinte, Presidente do Parlamento Nacional e Presidente da República. Foi um homem do povo que se tornou uma figura de Estado”, destacou.

Alkatiri rejeitou igualmente qualquer alegação de falta de apoio governamental durante o tratamento médico de “Lú Olo”, recordando que o Executivo acompanhou de perto todo o processo. “O Governo fez todos os esforços necessários. Ninguém o enviou para morrer. Foi enviado para tratamento com a esperança de que regressasse ao país recuperado”, referiu.

Questionado sobre o impacto da morte de “Lú Olo” na FRETILIN, o dirigente reconheceu que o partido enfrenta um momento particularmente difícil, mas considerou que a dimensão do desafio exige maior determinação por parte dos seus militantes. “Quanto maior for o desafio, maior deve ser a nossa determinação para o ultrapassar”, disse.

Numa mensagem dirigida aos militantes da força política, Alkatiri apelou à abertura e ao reforço da unidade. “Peço aos militantes que abram os seus corações, a sua mente e a sua vontade para acolher todos os timorenses”, salientou.

Sobre uma eventual participação do Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, nas cerimónias fúnebres, o Secretário-Geral do maior partido da oposição no Parlamento Nacional disse não possuir informações concretas, lembrando que o chefe do Governo se encontra atualmente em visita oficial a Portugal.

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Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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