Timor-Leste defende ação conjunta da CPLP e da União Africana para resolver crise na Guiné-Bissau

DÍLI, 14 de agosto de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste defende uma ação conjunta da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Africana (UA) para contribuir para a reposição da ordem constitucional e a normalização da situação política na Guiné-Bissau.
A afirmação foi feita hoje pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito Freitas, durante uma entrevista exclusiva no estúdio da Tatoli, no Farol, em Díli.
Segundo o governante, Timor-Leste mantém os canais de comunicação com Bissau, apesar da suspensão temporária da participação guineense nas atividades da CPLP na sequência da rutura da ordem constitucional, em novembro de 2025.
“Como país irmão, apesar dos desafios constitucionais que enfrenta, as decisões, declarações e outras questões relacionadas com as atividades da CPLP devem continuar a ser comunicadas à Guiné-Bissau”, disse.
Bendito Freitas defendeu que Timor-Leste “tem procurado contribuir para a resolução da crise política” desde dezembro de 2025, quando o Conselho de Ministros da CPLP realizou uma reunião extraordinária por videoconferência e recomendou o envio de uma missão ao país.
No dia 10 de dezembro, Timor‑Leste apresentou ao Conselho de Ministros uma proposta prevendo uma missão liderada pelo país, através dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e da Defesa..
A iniciativa, contudo, não chegou a concretizar-se. Em fevereiro de 2026, o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense comunicou a Timor-Leste que ainda “não estavam reunidas as condições para receber a missão”.
“Agora estamos a procurar cooperar através de outros mecanismos. Estamos a coordenar com a União Africana e a nossa abordagem continua. Esperamos que também possa cooperar connosco para encontrarmos uma solução”, explicou o governante.
Para Timor‑Leste, qualquer solução deve respeitar a ordem constitucional e conduzir à realização de eleições democráticas, permitindo o regresso da Guiné‑Bissau à normalidade institucional. Neste sentido, a CPLP poderá contribuir com uma missão de observação eleitoral, caso as eleições venham a realizar‑se, em coordenação com os países africanos.
“É preciso encontrar uma solução de acordo com a ordem constitucional. Podemos participar através do envio de uma missão de observação eleitoral. Não é apenas a CPLP, os países africanos também devem contribuir para a realização de eleições democráticas e para o regresso da Guiné-Bissau à normalidade”, concluiu.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

