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Governo destaca economia azul como prioridade estratégica

Governo destaca economia azul como prioridade estratégica

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, o Vice-Primeiro-Ministro, Francisco Kalbuadi Lay, e a Ministra das Finanças, Santina Cardoso, lideram a Reunião dos Parceiros de Desenvolvimento de Timor-Leste, no Ministério das Finanças, em Díli. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 25 de maio de 2026 (TATOLI) — Está a decorrer até ao dia 26, no Ministério das Finanças, em Díli, a Reunião dos Parceiros de Desenvolvimento de Timor-Leste (TLDPM 2026), centrada no reforço da economia azul, na integração na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), nas reformas da administração pública e na avaliação do progresso do Plano Estratégico de Desenvolvimento até 2030.

A iniciativa, promovida pelos Ministérios das Finanças e dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, sob o tema Traçar um Horizonte Resiliente: Economia Azul, Integração na ASEAN e Ação Coordenada, reúne membros do Governo, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e o setor privado.

O evento foi oficialmente aberto pela Ministra das Finanças, Santina Cardoso, seguindo-se de uma intervenção do Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão. Durante a sessão plenária, foram apresentadas as principais prioridades nacionais, com destaque para políticas de promoção da economia azul sustentável, considerada estratégica para o crescimento económico do país.

A Coordenadora da Unidade da Economia Azul do Gabinete do Primeiro-Ministro, Inês Araújo Gonçalves, apresentou publicamente a política nacional para o setor, sublinhando o potencial dos recursos marinhos para o desenvolvimento económico sustentável.

“A proteção do equilíbrio a longo prazo dos ecossistemas marinhos significa salvar os oceanos”, afirmou, defendendo uma abordagem integrada que abranja das nascentes ao mar.

Segundo a responsável, a estratégia assenta em quatro pilares fundamentais: o conhecimento do mar, através da investigação e da educação; a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros; a utilização sustentável dos recursos oceânicos para fins económicos; e as ações intersetoriais para a implementação da política nacional.

Inês Araújo Gonçalves destacou ainda que a economia azul inclui não apenas o mar e a zona costeira, mas também rios, lagos e regiões interligadas ao sistema hídrico nacional, envolvendo assim as comunidades.

No plano económico, o Executivo pretende reforçar investimentos em setores estratégicos, com destaque para a agricultura, energia e hidrocarbonetos. Simultaneamente, apostará na Economia Azul, através de investimentos nas pescas, aquacultura, produção de sal, turismo marítimo, logística portuária, biotecnologia marinha e energias renováveis, promovendo também a atração de investimento privado, nacional e estrangeiro.

A integração de Timor-Leste na ASEAN foi igualmente abordada no fórum pela Vice-Ministra dos Assuntos da organização, Milena Rangel, enquanto o Presidente da Comissão da Função Pública, Agostinho Letêncio de Deus, apresentou propostas de reforma da administração pública.

 Estratégia nacional para a economia azul assenta em quatro pilares

No âmbito da estratégia de implementação, o Governo definiu quatro pilares da economia azul: investigação e educação sobre o mar; conservação dos ecossistemas marinhos; utilização sustentável dos recursos marítimos; e medidas de apoio à implementação da política nacional da economia azul.

A estratégia prevê igualmente a criação de uma conta satélite para o setor do mar, destinada a medir o contributo da economia azul para o crescimento económico e a criação de emprego, reforçando a transparência e a tomada de decisão baseada em dados.

O Governo definiu o período 2025–2035 como fase inicial de implementação da política nacional da economia azul, reconhecendo a necessidade de financiamento, conhecimento técnico e cooperação internacional contínua.

As autoridades timorenses apelaram, por isso, ao reforço da cooperação com parceiros de desenvolvimento, bem como com organizações como a ASEAN e a Organização Mundial do Comércio, para garantir a execução efetiva das políticas definidas.

A reunião contou ainda com um apelo à participação nas celebrações do Dia Nacional do Mar, agendadas para os dias 5 a 8 de junho de 2026.

O segundo dia do encontro será dedicado às áreas das infraestruturas e desenvolvimento do capital social, com sessões lideradas pelo ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão Sousa, e pelo Vice-Primeiro-Ministro, Ministro Coordenador dos Assuntos Sociais e Ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária, Mariano Assanami Sabino.

Notícia relevante: Xanana Gusmão alerta ASEAN para ameaça climática e quer economia azul como referência regional

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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