DÍLI, 14 de maio de 2026 (TATOLI) – Os plásticos reciclados podem ajudar a reduzir a crescente crise mundial de resíduos, mas apenas se a sua utilização em embalagens alimentares for cuidadosamente regulada, alertam especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Num estudo recente sobre segurança alimentar, a FAO sublinha que materiais reciclados e alternativas sustentáveis de embalagem só contribuem para a redução de resíduos se os sistemas de reciclagem forem rigorosamente geridos, evitando a migração de substâncias químicas nocivas para os alimentos.
“Os resíduos plásticos são um problema global crescente. Uma reciclagem mais eficaz é fundamental e faz parte da solução. Precisamos de melhorar a reciclagem e reduzir a poluição, mas sem criar novos problemas noutros setores”, afirmou Vittorio Fattori, responsável de Segurança Alimentar da FAO, num comunicado da Organização das Nações Unidas (ONU) a que a Tatoli teve acesso.
Segundo o responsável, a embalagem alimentar desempenha um papel central nos sistemas modernos, preservando a qualidade, prolongando a vida útil e reduzindo perdas. O mercado global de embalagens alimentares deverá crescer de cerca de 505 mil milhões de dólares americanos em 2024 para mais de 815 mil milhões em 2030.
Ao contrário de outros produtos reciclados, as embalagens alimentares devem cumprir normas rigorosas de segurança química. Recipientes e invólucros de plástico podem conter milhares de substâncias, incluindo estabilizadores, pigmentos e plastificantes, além de contaminantes introduzidos durante o processo de reciclagem.
O relatório da FAO indica que plásticos reciclados podem apresentar níveis mais elevados de metais, retardadores de chama, poluentes orgânicos, entre outros. No entanto, quando submetidos a processos rigorosos de limpeza e descontaminação, podem ser tão seguros quanto os plásticos novos. Na União Europeia, por exemplo, materiais reciclados para contacto com alimentos devem cumprir os mesmos padrões que os plásticos virgens.
O estudo aborda também alternativas aos plásticos, como bioplásticos, fibras vegetais e materiais à base de proteínas, promovidos como mais sustentáveis. Mas os especialistas alertam que bio-based não significa necessariamente biodegradável. Alguns materiais podem conter resíduos de pesticidas, metais pesados ou alergénios, como o glúten.
A análise aborda ainda a presença de micro e nanoplásticos em alimentos e bebidas. Partículas plásticas minúsculas já foram detetadas no sangue humano, pulmões, leite materno e placentas. Apesar disso, reguladores carecem de métodos harmonizados para detetar estas partículas, dificultando a avaliação de riscos para a saúde.
O relatório pretende apoiar discussões na Comissão do Codex Alimentarius, organismo internacional de normas alimentares da FAO e da Organização Mundial de Saúde. Atualmente, abordagens regulatórias diferentes entre países dificultam a proteção do consumidor e o comércio internacional.
“Normas globais harmonizadas fortaleceriam os sistemas de segurança alimentar e ajudariam a reduzir os resíduos plásticos”, concluiu Vittorio Fattori.
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Equipa da Tatoli




