DÍLI, 4 de maio de 2026 (TATOLI) – O Diretor-Geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Miguel Monteiro, afirmou que uma refeição escolar é muito mais do que alimento no prato, representando melhores condições de aprendizagem, apoio às famílias e oportunidades para o desenvolvimento económico local.
Miguel Monteiro falou, em representação da Secretária-Executiva da organização, Maria Fátima Jardim, no IV Seminário Internacional de Boas Práticas sobre Alimentação Escolar na CPLP, que teve hoje lugar no Salão Nobre do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, na Praia dos Coqueiros, em Díli. O evento reuniu representantes governamentais, especialistas e parceiros internacionais para se debater estratégias de reforço da nutrição escolar no espaço lusófono.
A iniciativa insere-se nas celebrações do 30.º aniversário da CPLP e reflete a prioridade atribuída à alimentação, à nutrição e à saúde escolar no plano estratégico de cooperação multilateral da organização.

O responsável referiu que o seminário constituiu um espaço privilegiado de partilha de experiências e de consolidação de políticas públicas orientadas para garantir “uma refeição nutritiva, digna e promotora de saúde” a todas as crianças em idade escolar.
Miguel Monteiro sublinhou ainda o lançamento formal da brochura de boas práticas sobre alimentação escolar na CPLP, um instrumento que sistematiza programas nacionais dos Estados-Membros e que ficará disponível ao público como referência para a formulação de políticas públicas no setor. O documento está alinhado com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 da Agenda 2030 das Nações Unidas, centrado na erradicação da fome e na promoção da segurança alimentar.
O responsável apontou também os desafios comuns enfrentados pelos países da CPLP, como a necessidade de se adaptar ementas às realidades locais, valorizar a agricultura familiar, capacitar recursos humanos e reforçar sistemas de monitorização. Defendeu, por isso, o reforço da cooperação e a integração na coligação global para a alimentação escolar, com o objetivo de assegurar refeições saudáveis a todas as crianças até 2030.

Por sua vez, a Ministra da Educação, Dulce Soares, afirmou que a alimentação escolar é um investimento estruturante no capital humano e um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável, sublinhando que crianças bem alimentadas apresentam melhores níveis de assiduidade e desempenho escolar.
Para a governante, “o programa de alimentação escolar em Timor-Leste tem contribuído para o aumento do número de matrículas e da permanência dos alunos no sistema educativo”, sendo implementado com o envolvimento das estruturas locais e com o apoio de parceiros internacionais, como o Programa Alimentar Mundial.
Dulce Soares referiu ainda que o país aposta na ligação entre alimentação escolar e produção local, incentivando a aquisição de produtos a agricultores nacionais e promovendo hortas escolares como ferramenta pedagógica. “Frequentar a escola ao longo de um dia completo não pode ser um privilégio, mas um direito de todas as crianças”, frisou.
Durante o encontro, foram, igualmente, debatidas experiências de países como o Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, bem como mecanismos para garantir a sustentabilidade dos programas face a desafios globais, como as alterações climáticas e a volatilidade dos preços dos alimentos.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




