DÍLI, 16 de fevereiro de 2026 (TATOLI) – Está a decorrer até ao dia 20, no salão João Paulo, em Comoro, um seminário nacional subordinado ao tema Escutem com os nossos olhos e comuniquem com as nossas mãos, com o objetivo de validar a língua gestual no país.
A iniciativa é promovida pela Associação de Deficiência de Timor-Leste (ADTL) e pela Klibur Defisiénsia Tilun Timor-Leste (KDT-TL).
Na sua intervenção, o Primeiro Ministro, Xanana Gusmão, solicitou ao Ministério da Educação a criação de um programa de educação inclusiva, defendendo a cooperação com tradutores de língua gestual para assegurar a comunicação com os alunos com deficiência auditiva.
“Este programa funcionaria como uma fase preparatória, permitindo que os tradutores c

omunicassem com os professores e fizessem a explicação em língua gestual aos estudantes com deficiência auditiva”, afirmou.
O Chefe do Executivo defendeu que o programa deveria abranger não só o ensino básico, mas também as escolas secundárias e o ensino superior.
Acrescentou que o Governo pretende reforçar o compromisso com a língua gestual, garantindo que as pessoas com deficiência auditiva possam acompanhar o percurso escolar e adquirir conhecimento.
Por sua vez, a Ministra da Educação, Dulce de Jesus, disse estar disponível para emitir um despacho oficial que formalize a introdução da língua gestual no sistema educativo, no âmbito da educação inclusiva. “Trata-se de uma medida importante para prevenir situações de discriminação entre crianças”, afirmou.
A governante agradeceu também à ADTL e à KDT-TL pelo trabalho árduo desenvolvido ao longo dos anos na promoção da língua gestual.

“Agradeço também ao DFAT [Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio da Austrália], por prestar apoio financeiro e por ser um parceiro comprometido com a inclusão. Felicito-vos por esta iniciativa e aguardo os resultados, bem como o pedido oficial da vossa parte, para que o trabalho desenvolvido ao longo desta semana se traduza num resultado concreto e com valor legal”, referiu.
Na mesma linha, a Diretora da KDT-TL, Crescência de Jesus, afirmou que a língua gestual constitui uma exigência moral e uma necessidade prática, por facilitar a aprendizagem das crianças com deficiência auditiva desde a infância até à idade adulta.
“A língua gestual facilita a comunicação entre pessoas com e sem deficiência auditiva, no seio da família, no local de trabalho e nos espaços públicos, garantindo o acesso à educação e permitindo que atinjam o seu pleno potencial. Contribui também para a criação de oportunidades no mercado de trabalho para intérpretes de língua gestual”, sublinhou.

A dirigente lembrou que, segundo os dados do Censo de 2022, apenas 19% das pessoas com deficiência tinham acesso à educação.
“Enquanto a nossa nação celebra grandes progressos significativos, com uma taxa de matrícula no ensino básico de quase 99,5% e paridade de género, a realidade das pessoas com deficiência é diferente. O Censo de 2022 indica que apenas 19% daquelas tinham acesso à educação, o que revela uma diferença de 67,1 pontos percentuais face à taxa geral”, frisou.
A responsável acrescentou que as pessoas com deficiência auditiva apresentam níveis de literacia mais baixos, devido à escassez de tradutores de língua gestual.
Estiveram presentes no evento, entre outros, o Embaixador da Austrália em Timor-Leste, Edward Wilkinson, e a Diretora do Instituto Nacional de Linguística, Rosa Tilman.Parte superior do formulário
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




