DÍLI, 26 de setembro de 2023 (TATOLI) – Luciano Purificação, tradutor de língua gestual no canal Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL), pediu aos timorenses para aprenderem língua gestual e ajudar os deficientes auditivos. A declaração foi feita numa entrevista, (22/09), no estúdio da TATOLI.
Luciano Purificação, 25 anos, é finalista da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL), no Departamento de Inclusão Social. Aprendeu língua gestual em 2021 na Associação de Deficientes de Timor-Leste (ADTL). Foi docente assistente voluntário na UNTL em 2020. Trabalha desde 2022 como tradutor de língua gestual na RTTL.
O tradutor diz que quis aprender esta língua porque queria ajudar pessoas com deficiência auditiva. Para Luciano, que se sente uma voz representativa de surdos-mudos, é importante que pessoas com deficiência auditiva sintam que há pessoas aptas a ajudá-los.
Na ADTL, aprendeu a auxiliar, a aconselhar surdos-mudos e a traduzir em seminários e em reuniões com políticos. Luciano Purificação lembra: “Aprendi linguagem gestual com uma pessoa com deficiência auditiva. Primeiro aprendemos os números, as letras e os verbos. É um pouco difícil porque cada verbo tem os seus gestos e quando sabemos como usar esse verbo, podemos traduzir uma frase”.
O tradutor da RTTL reconheceu que na universidade não se aprende língua gestual e que esta não está incluída nos currículos escolares. A maior parte dos professores pouco ou nada sabe sobre língua gestual. “Gostava que os professores pudessem comunicar em língua gestual para compreenderem as dificuldades dos alunos com deficiência auditiva no ensino e facilitar interações nas aulas”.
De acordo com os Censos de 2015, existem mais de doze mil pessoas com deficiência auditiva, mas apenas 124 pessoas frequentaram formação sobre a área na ADTL. Há ainda 25 tradutores de língua gestual em atividade, mas apenas sete ainda têm ligação com a ADTL. “Temos também centros de formação na língua gestual em Ermera, Baucau e Díli”, informou.
Luciano Purificação terminou com um desejo. Pede a todos os cidadãos para “não discriminarem as pessoas com deficiência auditiva e tentem acompanhar as suas atividades”.
Equipa da TATOLI




