DÍLI, 13 de janeiro de 2026 (TATOLI) — A Organização Mundial da Saúde para a Região do Sudeste Asiático (OMS-SEARO) assinalou, esta terça-feira, 15 anos sem casos de poliovírus selvagem, mantendo o estatuto de região livre de poliomielite e reforçando os avanços na saúde pública.
“Esta conquista extraordinária resultou de esforços sem precedentes e demonstra o que pode ser alcançado e sustentado através de uma liderança governamental firme, de um corpo de profissionais de saúde dedicado e de parcerias sólidas, incluindo com as comunidades”, afirmou a Responsável interina do Escritório Regional da OMS para o Sudeste Asiático, Catharina Boehme, num comunicado a que a Tatoli teve acesso.
Nesta data, em 2011, uma menina de 18 meses ficou paralisada pelo poliovírus selvagem em Howrah, Bengala Ocidental, Índia. A resposta extensa e intensiva que se seguiu garantiu que este fosse o último caso de poliovírus selvagem na Região. Três anos depois, a Região do Sudeste Asiático foi certificada como livre de poliomielite, a 27 de março de 2014.
A Região continua a manter uma vigilância rigorosa contra a importação do poliovírus e a proteger as crianças através da vacinação contra uma doença que outrora causou paralisia generalizada e morte.
Segundo Catharina Boehme, em 2025, foram recolhidas mais de 50 mil amostras de fezes em toda a Região e analisadas através de uma rede de 13 laboratórios acreditados pela OMS, incluindo laboratórios nacionais, regionais e de referência global. A vigilância na zona continua a exceder os padrões exigidos para manter a certificação de zona livre de poliomielite.
Catharina Boehme salientou que, de acordo com as Estimativas Anuais da OMS/UNICEF sobre a Cobertura Nacional de Imunização, a Região tem mantido uma elevada imunidade populacional graças a uma cobertura vacinal consistentemente robusta. A cobertura com a vacina oral bivalente contra a poliomielite e com pelo menos uma dose da vacina inativada contra a poliomielite tem permanecido acima dos 90%.
“Mesmo durante emergências humanitárias, desastres naturais e a pandemia da covid-19, os países mantiveram serviços de vigilância e imunização de elevada qualidade, salvaguardando estes ganhos arduamente conquistados”, acrescentou Catharina Boehme.
Prestando supervisão independente, a Comissão Regional de Certificação da Erradicação da Poliomielite do Sudeste Asiático reúne-se anualmente para analisar os progressos dos países, avaliar riscos e verificar a manutenção do estatuto de região livre de poliomielite.
A OMS referiu também que o programa da poliomielite continua a gerar benefícios muito para além de uma única doença. Os Estados-Membros têm aplicado inovações, sistemas e lições operacionais da erradicação da pólio para reforçar a imunização de rotina, avançar na eliminação do sarampo e da rubéola, melhorar as capacidades laboratoriais de saúde pública e a preparação para emergências. Estes esforços têm sido determinantes para expandir a cobertura da imunização de rotina, alcançar comunidades anteriormente não alcançadas e colmatar lacunas de imunidade.
Os Estados-Membros registaram também progressos significativos no combate a outras doenças evitáveis por vacinação. A Região continua a sustentar a eliminação do tétano materno e neonatal, enquanto a introdução e a expansão de vacinas contra a doença pneumocócica, o rotavírus, a hepatite B, a encefalite japonesa, a febre tifoide e o vírus do papiloma humano continuam a reduzir a mortalidade e a carga de doença a longo prazo.
“O percurso desde a endemia da poliomielite até à manutenção do estatuto de região livre da doença demonstra que objetivos ambiciosos de saúde pública são alcançáveis”, afirmou Catharina Boehme, acrescentando que a OMS se mantém empenhada em apoiar os países na proteção de todas as crianças através de sistemas robustos de imunização de rotina e no avanço da eliminação de doenças em toda a Região.
Equipa da Tatoli




