DÍLI, 23 de dezembro de 2025 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, afirmou que a comunicação social assume um papel central enquanto pilar da democracia, “instrumento de educação cívica e mecanismo de controlo do poder político”, considerando que o jornalismo deve ir além da simples crítica ao Governo, contribuindo para o esclarecimento público, para o fortalecimento das instituições e para a consolidação da nação.
A declaração foi proferida no programa Meet the Press, sob o tema O Papel dos Media como Pilar da Democracia no Processo de Construção do Estado, realizado, ontem, no Salão de Apuramento da Comissão Nacional de Eleições, em Díli, que contou com a participação de representantes das instituições do Estado, de jornalistas e de académicos.
Na sua intervenção, o Chefe do Governo recordou a sua experiência de mais de 50 anos no jornalismo, referindo que, desde o período da resistência até ao atual contexto democrático, a comunicação social em Timor-Leste não se limitou a ser um canal de informação, pois “funcionou como instrumento de libertação no passado e funciona hoje como meio de educação cívica, promoção da consciência nacional e controlo social do poder político”.
“Os média são a voz do povo. Deve publicar o que é positivo e também o que não está correto, sempre no quadro da liberdade de expressão e da responsabilidade democrática”, afirmou.
Destacou ainda que a comunicação social constitui uma ponte entre o Estado e os cidadãos, permitindo que a população acompanhe processos eleitorais, as decisões de políticas públicas e os debates nacionais, através da rádio comunitária, da imprensa escrita, da televisão e das plataformas digitais.
Xanana Gusmão disse que a liberdade de imprensa é constitucionalmente garantida, devendo ser exercida com “responsabilidade, de modo a promover o debate construtivo, prevenir o autoritarismo e evitar abusos de poder”. Nesse sentido, apelou aos jornalistas para privilegiarem notícias baseadas em dados, análise e contextualização, defendendo um jornalismo que eduque a sociedade e não se limite à produção de conteúdos sem valor social ou orientados para ganhar popularidade nas redes sociais.
Abordando a adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático, o Chefe do Governo desafiou os profissionais de comunicação social a aprofundarem o conhecimento sobre o significado e os benefícios concretos dessa integração regional. Frisou também que a comunicação social deve explicar à população o impacto da adesão, contribuindo para uma compreensão informada e para a identificação de soluções que beneficiem o país.
O PM rejeitou uma visão redutora da comunicação social como mero watchdog (cão de guarda) do Governo, defendendo que o jornalismo deve também produzir opiniões fundamentadas, bem como investigações e análises aprofundadas em setores estratégicos como a agricultura, a saúde, as finanças públicas e o combate à corrupção.
No domínio da transformação digital, alertou para os desafios colocados pelas novas tecnologias, dos quais se incluem a Inteligência Artificial, e para a necessidade de os jornalistas desenvolverem capacidades de análise crítica, acompanhamento da realidade internacional e comparação do posicionamento de Timor-Leste nos indicadores globais de democracia, direitos humanos e desenvolvimento.
Reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da comunicação social, nomeadamente as de natureza financeira, Xanana Gusmão apelou à perseverança, à ética profissional e ao reforço da confiança pública através de um jornalismo independente, rigoroso e comprometido com a construção nacional. Defendeu ainda o reforço da cooperação entre órgãos de comunicação social – imprensa, rádio e televisão – e a atenção ao processo de descentralização do poder local, que exigirá uma cobertura jornalística mais próxima das realidades municipais.
Por último, dirigiu uma mensagem de motivação aos jornalistas, apelando ao reforço das competências intelectuais, da capacidade de análise e da abertura de horizontes em 2026, reiterando a sua confiança no papel da comunicação social como força mobilizadora da sociedade, em particular dos jovens, e como elemento essencial na consolidação da democracia e da paz em Timor-Leste.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




