DÍLI, 13 de dezembro de 2025 (TATOLI) — Três órgãos de comunicação social — o Grupo Média Nacional (GMN), o Jornal Independente e o Lafaek News — foram distinguidos, este sábado, com o Prémio de Jornalismo da Paz Maria Gorete Joaquim, uma iniciativa promovida pelo Centro Nacional Chega (CNC).
Intervindo no evento, o Diretor-Executivo do CNC, Hugo Fernandes, afirmou que os jornalistas desempenham um papel fundamental na divulgação de informação, lembrando que “Maria Gorete Joaquim não era jornalista, mas arriscou a vida para informar o seu povo. Por isso, o CNC atribui este prémio aos profissionais que continuam a trabalhar em defesa dos direitos humanos”.
Por sua, vez, o Presidente do Conselho de Imprensa, António César Mali, sublinhou que este prémio valoriza o trabalho dos jornalistas e reforça a importância de um jornalismo responsável, orientado pela paz e pelos direitos humanos.
Na mesma linha, a Chefe da Casa Civil, Jesuína Gomes, em nome do Presidente da República, José Ramos-Horta, sublinhou que uma imprensa livre, plural e independente constitui um pilar essencial da jovem democracia de Timor-Leste.
Segundo a responsável, os media desempenham um papel insubstituível na monitorização das atividades do Estado, na promoção da transparência e na garantia da responsabilidade pública.
A dirigente referiu que o Prémio em apreço visa prestar homenagem ao legado de Maria Gorete Joaquim, heroína do jornalismo timorense e membro da resistência, que desapareceu em 1979 após ter sido detida por defender a liberdade. Destacou também que o Prémio distingue profissionais da comunicação social que refletem o espírito da jornalista, através de contribuições relevantes para a divulgação de informação verificada e para a promoção dos direitos humanos em Timor-Leste.
A Chefe da Casa Civil apelou aos jornalistas para seguirem o exemplo de coragem de Maria Gorete Joaquim, sublinhando a importância da independência, da ética e da verdade na construção de uma sociedade informada e de um Timor-Leste moderno e democrático.
Os órgãos de comunicação social distinguidos foram:
- O Jornal Independente —vencedor na categoria de imprensa escrita, pelo trabalho jornalístico intitulado Iha istória nia lalatak okos realidade moris sobrevivente.
- O Lafaek News — vencedor na categoria de plataformas online, pela reportagem intitulada Ha’u hamonu mata-wen tan sente la hakmatek iha barraka fohuk-laran.
- O GMN — vencedor na categoria de imprensa eletrónica, pela reportagem intitulada Maske otas sei kiik nia deside hodi para hosi eskola, tanba hakarak sustenta nesesidade família, be moris kondisun vuneravel hosi leba modo hodi tama sai bairo.
Já o Coordenador de Cobertura e vencedor do Prémio do Jornal Independente, Aquino Gomes, disse estar orgulhoso pelo reconhecimento atribuído pelo CNC.
“Procurei entrevistar pessoas em situação de vulnerabilidade sobre as suas condições de vida e as dificuldades diárias, sobretudo no acesso a alimentos, como arroz, que muitas vezes escasseia. Estas pessoas não se conseguem alimentar como aquelas com maior capacidade económica. Por isso, quis relatar e divulgar as suas histórias para chamar a atenção dos decisores políticos e das entidades competentes para as comunidades vulneráveis em Díli”, explicou.
Maria Gorete Joaquim, estudante de 17 anos em Díli, foi alvo dos serviços de inteligência indonésios durante a ocupação, que a detiveram, torturaram e libertaram várias vezes antes de a matarem em 1979, embora oficialmente continue registada como desaparecida.
Jornalista: Felicidade Ximenes/Tradução: Equipa da Tatoli
Editor: Cancio Ximenes




